Lula fala de obesidade de Dino em evento público e vira alvo nas redes

***ARQUIVO***WASHINGTON, EUA, 10.02.2023 - O presidente Lula (PT). (Foto: Caio Guatelli/Folhapress)
***ARQUIVO***WASHINGTON, EUA, 10.02.2023 - O presidente Lula (PT). (Foto: Caio Guatelli/Folhapress)

SÃO PAULO, SP, E BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) falou sobre a obesidade do ministro da Justiça, Flávio Dino (PSB), em um evento público nesta quarta-feira (15), e foi alvo de críticas de opositores em redes sociais.

Lula classificou a obesidade como uma doença que causa tanto mal quanto a fome, sendo necessário cuidado do Estado para este problema, e disse que Dino agora estaria se exercitando, andando de bicicleta, por estar acima do peso.

"Aqui ninguém está com excesso de magreza, a não ser o nosso poeta. O restante está tudo com um pouco de obesidade, que também é uma doença que nós precisamos cuidar. A nossa médica que é ministra da Saúde sabe perfeitamente bem que a obesidade causa tanto mal quanto à fome. E por isso que o Flávio Dino está andando de bicicleta, porque ele sabe que isso vai precisar que o Estado cuide com muito carinho desse mal", disse o presidente.

A declaração foi dada na cerimônia de lançamento do Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania), vinculado ao ministério que Dino chefia.

Em discurso, Lula afirmou que a sociedade "não está precisando só de mais polícia". Acrescentou que é necessária a atuação do Estado para garantir condições mínimas de dignidade para as pessoas, para não haver o estímulo para o início de atividades de criminalidade.

Antes, o próprio ministro havia feito piada ao falar do viés social do novo projeto.

"Um trabalhador da construção civil que tem uma bicicleta furtada não é a mesma coisa que uma pessoa que usa a bicicleta uma vez por ano para fazer atividade física. Falo de mim mesmo, como dá para notar", disse Dino, o que se seguiu de risos da plateia.

A fala do presidente gerou críticas de membros da oposição nas redes sociais. O deputado federal Kim Kataguiri (União Brasil-SP), escreveu: "Alô galerinha chata que acha obesidade lindo: o Lula falou o óbvio aqui. Vão chamá-lo de gordofóbico também? Ou vão parar de glamourizar uma doença?"

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) publicou um tuíte dizendo haver dois pesos e duas medidas envolvendo o presidente. "Lula diz que banheiro trans é invenção de satanás e que obesidade é doença e faz piada sobre. Não importa o que diz, mas quem diz. Só pra registrar mesmo."

A página do MBL (Movimento Brasil Livre) também reagiu, repostando o vídeo e perguntando "E agora? Vai rolar cancelamento ou ele pode?".

O episódio ocorreu dois dias após outra declaração de Lula que motivou críticas, desta vez relacionando a escravidão com a miscigenação brasileira.

"Resolveram contar a história que os índios eram preguiçosos e, portanto, era preciso trazer o povo negro da África pra produzir nesse país. Ora, toda a desgraça que isso causou ao país causou uma coisa boa, que foi a mistura, a miscigenação. Da mistura entre indígenas, negros e europeu, permitiu que nascesse essa gente bonita aqui", afirmou o petista enquanto visitava a terra indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima.

A fala também foi alvo de ataques por opositores ao presidente. O senador Luis Carlos Heinze (PP-RS) afirmou haver silêncio dos movimentos negros após o discurso.

"O presidente da República, que subiu a rampa com o discurso dourado de minoria, declara que a escravidão ‘causou uma coisa boa, que foi a mistura, a miscigenação’. Cadê os movimentos negros para explicar o tamanho do racismo praticado por Lula? Silêncio absoluto", escreveu o senador nas redes sociais.

Já o ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio (PSDB) criticou o mandatário afirmando que nada justifica o processo de servidão estabelecido no Brasil por séculos.

"Então, o senhor acha que a ‘preguiça dos índios’ levou à escravidão de negros, africanos, e que isso foi bom, porque provocou a miscigenação? Presidente, nada justifica a escravidão. A ditadura, que o senhor não combateu, submeteu os brasileiros a um tipo específico de escravidão", escreveu o tucano.