Lula fica sem diploma, mas agita candidatura em viagem ao Nordeste

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é abraçado por partidários em Salvador, em 17 de agosto de 2017

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou nesta sexta-feira que a Justiça o impediu de receber um título honoris causa, por considerar que tinha intenções políticas, para agitar sua candidatura a 2018 durante uma viagem ao nordeste do país, seu principal reduto eleitoral.

"Se os políticos que têm diploma não sabem governar, talvez seja necessário um torneiro mecânico voltar a governar", ironizou, dirigindo-se a milhares de pessoas que se reuniram para vê-lo na cidade de Cruz das Almas, na Bahia.

O ex-presidente não pôde receber o diploma honoris causa que seria concedido pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) porque um juiz considerou na última quinta-feira que essa honraria teria uma mensagem de apoio político implícita e constituiria um "desvio de finalidade".

Lula trocou, então, a solenidade por um ato de rua improvisado em cima de caminhão de som, de onde relembrou sua trajetória pessoal: da pobreza extrema à Presidência da República. Ele também falou das políticas sociais implementadas em seu governo.

"Tinha certeza que o maior legado que eu poderia deixar para o Brasil era fazer com que os jovens que nasceram pobres chegassem na universidade", disse ao público vestido de vermelho.

Sua tentativa de retorno não será fácil, embora já tenha sido considerado o político mais influente da América Latina e atualmente lidere várias pesquisas de intenção de voto para as eleições de 2018. Lula aparece aparece também em primeiro lugar em rejeição dos eleitores.

"Guardem o meu título, que eu virei aqui pela quinta vez para receber", prometeu antes de partir para a próxima parada.

Lula iniciou na quinta-feira uma caravana pelo Nordeste, seu reduto histórico, em um esforço para se reinventar depois da sentença por corrupção que ameaça as suas chances de se candidatar à Presidência em 2018.

Ele começou sua viagem por Salvador, onde exortou os militantes do Partido dos Trabalhadores (PT) a se articular para voltar ao poder nas próximas eleições.

O ex-presidente se encontra em uma encruzilhada. Condenado a nove anos e meio de prisão por corrupção, e autorizado a apelar da sentença em liberdade, Lula apostará em seu carisma para lutar por uma volta triunfante ao posto mais alto da República.

A caravana "Lula pelo Brasil" se inspira nas "Caravanas da Cidadania", que permitiram ao ex-dirigente sindical visitar 359 cidades entre 1993 e 1996. Seis anos depois, ele se tornava o primeiro chefe de Estado operário do Brasil.