A transição de bilhões para o governo Lula: Arthur Lira no comando do Brasil

Arthur Lira e o Centrão que negociam com o governo Lula - Foto: Mateus Bonomi/Anadolu Agency via Getty Images
Arthur Lira e o Centrão que negociam com o governo Lula - Foto: Mateus Bonomi/Anadolu Agency via Getty Images

Lula já tem o primeiro desafio pela frente: o orçamento de um país devastado pela pandemia, que sofre sim, as consequências da Guerra na Ucrânia e um país de joelhos diante dos efeitos da PEC Kamikaze. O governo Bolsonaro estourou o teto dos gastos em 213 bilhões de reais. Para manter as promessas fantásticas de campanha, Lula pede negociação com o Congresso para estourar em mais 200 bilhões. Tudo isso para manter o Auxílio Brasil em R$ 600. Hoje, o razoável e o possível seria que o Auxílio fosse de R$ 400. Mas a irresponsabilidade da campanha vai fazer o jogo mudar.

Num texto antigo do Yahoo! eu afirmava que Lula estava muito mais preocupado em vencer as eleições do que governar. O exemplo está aqui. O presidente reeleito também está empenhado em dar um aumento real ao salário mínimo e por isso negocia uma Proposta de Emenda à Constituição de Transição. Mas quem sai mais forte disso? Arthur Lira e o Centrão que negociam com o governo reeleito.

Lembram de um texto aqui no Yahoo? O Brasil de joelhos diante de Arthur Lira? Sim, Lira, aquele que tentou burlar a noite para aprovação da PEC Kamikaze. Pois ele volta à cena. Vocês conseguem imaginar o poder desse homem que transita sem problema algum entre um governo de extrema direita e um governo de esquerda? Depois da eleição mais polarizada do país, onde, evidentemente, existem perdedores, Lira sai triunfante. A alternância de poder é um dos fundamentos da democracia, mas não para déspotas como Arthur Lira. Ou alguém realmente pensa que a PEC da Transição vai ser aprovada sem nenhuma barganha e de repente o Congresso volta a ser o mais exemplo de lisura do mundo?

Esse é o preço que se paga por uma política feita por 40 partidos onde o personalismo e o coronelismo imperam. A troca de favores que antes era feita de forma mais contundente entre os donos da terra agora é feita nos arredores de Brasília. Uma coisa é campanha eleitoral. Outra é o poder na prática, no dia a dia, com o poder do patriarca, com o poder de Arthur Lira.

Em outros tempos "o coronel, dessa forma, possuiria uma relação de dominação pessoal sobre seus agregados, e outra de barganha de favores com os políticos que lhe garantiriam “regalias” em troca do apoio eleitoral de sua gente, de seu curral eleitoral. Troque “coronel” por “Lira”, “curral eleitoral” por Brasília e o jogo segue. Essa é uma prática enraizada na política brasileira e não existe a menor chance de mudar.

O que o vice-presidente eleito Geraldo Alckmin e o ministro da Casa Civil Ciro Nogueira fazem nessa transição é garantir que verborragias e arroubos autoritários saiam de cena para que o processo de troca de governo ocorra de forma que as negociações possam ser feitas sem sentimentalismos por parte dos perdedores. Orçamento secreto agora vira emenda do relator e temos a sensação de que o jogo mudou e o Brasil voltou a ser um país transparente. Continua o mesmo escândalo sob outra roupagem. Mas no meio dessa primeira semana ao menos tivemos a manifestação do presidente Jair Bolsonaro pedindo a desobstrução das estradas (verbalmente, com todas as letras) e a composição de uma transição democrática, sem grades sobressaltos. Que o Brasil de Arthur Lira..ops, de Lula, volte a olhar para as minorias que foram negligenciadas. Boa sorte a todos nós, mais uma vez, e sempre.