À noite, programa de Lula fala em fé e Bolsonaro repete promessa de manter auxílio de R$600

Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante entrevista coletiva em São Paulo

Por Eduardo Simões

SÃO PAULO (Reuters) - Líder nas pesquisas de intenção de voto para a Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) usou seu programa eleitoral na noite deste sábado para falar em fé e em Deus, em um momento em que seu principal rival e vice-líder nas pesquisas Jair Bolsonaro (PL), dobra aposta na pauta de costumes, atribuindo de forma infundada ao petista a defesa do aborto e da legalização das drogas, de olho principalmente no eleitorado evangélico.

O programa do petista foi aberto com uma canção de cerca de 50 segundos em que a frase "tenho fé e peço a Deus" é repetida oito vezes. Na sequência, Lula repete a fala do programa da tarde, iniciando com a frase: "peço a Deus que ilumine essa nação e nos ajude a reconstruir o Brasil".

Na sequência, o programa petista manteve o tom da tarde, focando no mote da esperança na mudança para uma situação melhor que a atual.

"Provamos que o Brasil pode ser um país mais justo e respeitado, e garanto a vocês: a vida do povo vai melhorar. Já fizemos uma vez e vamos fazer melhor", repetiu Lula, antes de o programa, assim como fez à tarde, mostrar pessoas pedindo sua volta para "a gente ser feliz de novo".

O programa petista também voltou a dar espaço ao candidato a vice, o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSB), que disse que, apesar de não pensar igual a Lula em tudo "nesse momento algo mais importante nos une, o desejo de reconstruir o Brasil".

Bolsonaro, por sua vez, repetiu o programa de mais cedo e fez uma retrospectiva de seus três anos e quase oito meses de governo e se comprometeu com a manutenção do incremento no Auxílio Brasil, cuja validade foi aprovada pelo Congresso Nacional somente até o final deste ano eleitoral.

O programa do candidato à reeleição também buscou retratá-lo como um homem "simples", "honesto" e que "fala o que sente". Mostrou ainda imagem de um discurso de Bolsonaro em que, segurando uma bandeira do Brasil, ele afirma: "não ouse mexer na liberdade do meu povo".

Os demais candidatos repetiram com pouquíssimas mudanças o programa apresentado mais cedo. Soraya Thronicke (União Brasil), Simone Tebet (MDB) e Felipe D'Ávila (Novo) procuraram se apresentar ao eleitorado, enquanto Ciro Gomes (PDT), que tem apenas 50 segundos no programa eleitoral, criticou a situação econômica do Brasil e chamou os eleitores para acompanhar a íntegra de sua propaganda na internet, no que foi batizado como Ciro TV.