Lula iniciará governo com bolsonarista no comando da bancada evangélica

Lula deve encontrar forte resistência bolsonarista no Congresso já no início de sua gestão - Foto: REUTERS/Adriano Machado
Lula deve encontrar forte resistência bolsonarista no Congresso já no início de sua gestão - Foto: REUTERS/Adriano Machado

No momento em que tenta ampliar sua base no Congresso para garantir a governabilidade, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva vai começar seu governo com um bolsonarista no comando da bancada evangélica, uma das mais influentes. O atual líder, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), quer disputar a vice-presidência da Câmara na chapa à reeleição de Arthur Lira (PP-AL), em fevereiro, e quatro parlamentares alinhados ao presidente Jair Bolsonaro concorrem a sua sucessão.

Na próxima quarta-feira, a bancada entregará a Lira os projetos que considera prioritários, entre eles o que define família apenas como a união entre homem e mulher, excluindo as relações homoafetivas, e a Lei Geral das Religiões, que regulamenta o livre exercício das crenças e dos cultos religiosos, previstos na Constituição.

Na disputa pela presidência da Frente Parlamentar Evangélica estão o senador Carlos Viana (PL-MG) e os deputados Otoni de Paula (MDB-RJ), Eli Borges (PL-TO) e Silas Câmara (Republicanos-AM). A definição deve sair ainda este mês. O segmento foi um dos pilares de sustentação do atual governo e se engajou na campanha à reeleição.

— A Frente nasceu no início do primeiro governo Lula, em 2002, para ser uma resistência ideológica ao conjunto de políticas públicas da esquerda. Agora, mais que nunca, lutará pelos valores cristãos — diz Sóstenes.

Pastor da Assembleia de Deus e ligado a Silas Malafaia, um dos líderes religiosos mais alinhadas a Bolsonaro, Sóstenes diz ser o nome apoiado pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto, para a vice-presidência da Câmara a partir de 2023.Segundo ele, Lira teria prometido a vaga ao partido em troca do apoio à sua reeleição para o comando da Casa.

Na próxima legislatura, a estimativa é que a bancada evangélica conte com 102 deputados e 13 senadores, equivalentes a 20% da Câmara e 16% do Senado.

Um dos que se apresentou para comandar a Frente, Otoni de Paula é pastor da Assembleia de Deus Missão Vida. Vice-líder do governo, mediou ligação entre Bolsonaro e os familiares de Marcelo Arruda, petista assassinado em Foz do Iguaçu (PR), em julho deste ano. Ele é investigado em dois inquéritos no STF, o dos atos antidemocráticos e das fake news, e está com suas redes sociais bloqueadas.

— Tenho uma posição política de oposição a Lula, porém respeitosa, com propostas e que visa priorizar as pautas para o Brasil avançar — afirmou.

No páreo, Carlos Viana, membro da Igreja Batista da Lagoinha, retomou suas atividades após ser derrotado na corrida ao governo de Minas. Ele entrou na disputa para garantir palanque no estado para Bolsonaro, já que o presidente não conseguiu fechar aliança com o governador Romeu Zema (Novo). Reeleito no 1º turno, Zema apoiou Bolsonaro no 2º.

Outros dois pastores da Assembleia de Deus almejam liderar a bancada: Silas Câmara, reeleito para o 6º mandato, é um dos maiores apoiadores de Bolsonaro e já presidiu a bancada evangélica em 2019. Após acordo no STF, pagará R$ 242 mil de multa e deixará de responder a ação por um esquema de rachadinha em seu gabinete. Já Eli Borges é o atual porta-voz da Frente. Na campanha, recebeu a primeira-dama, Michelle Bolsonaro, em seu estado, Tocantins. Desde a derrota do presidente, Borges abandonou as redes sociais. Além da bandeira da família e dos costumes, ele se destaca pela defesa do agronegócio.