Lula insinua interesse eleitoral de Bolsonaro por contato com família de petista assassinado

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BRASÍLIA, DF, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) insinuou nesta terça-feira (12) que o contato do presidente Jair Bolsonaro (PL) com familiares do petista assassinado por um bolsonarista em Foz do Iguaçu (PR) foi motivado por interesse eleitoral.

Em evento em Brasília, Lula também responsabilizou Bolsonaro pelos brasileiros mortos por coronavírus, disse que o presidente nunca demonstrou empatia por essas famílias e insinuou que isso acontece agora em razão do período eleitoral.

"Ele nunca se preocupou em visitar uma criança órfã, uma viúva que perdeu um marido, um marido que perdeu a mulher, ninguém", disse o petista.

Lula relembrou os diversos casos de violência registrados na corrida eleitoral até agora —algo inédito, segundo ele—, e pediu que seus apoiadores evitem cair em provocações e entrar em brigas.

"Esse homem [Bolsonaro] se afastou do planeta Terra e está habitando um planeta onde a humanidade não existe, onde existe o ódio", afirmou.

"Eu acho que a sociedade brasileira começa a perceber o que está em jogo", continuou. "Nós não temos que aceitar provocações, se alguém provocar, iremos morder o próprio rabo e ir para casa cuidar da família."

Bolsonaro falou por vídeo com dois irmãos do petista assassinado: José e Luiz de Arruda. A ligação foi feita pelo deputado bolsonarista Otoni de Paula (MDB-RJ), que esteve na casa de um dos irmãos de Marcelo, com o aval de Bolsonaro, para intermediar a conversa.

O presidente convidou uma parte da família de Marcelo, alinhada ao bolsonarismo, para visitar o Palácio do Planalto na próxima quinta-feira (14) e participar de uma entrevista coletiva.

"A possível vinda de vocês a Brasília, se concordarem, qual é a ideia? É ter uma coletiva de imprensa para falar o que aconteceu. Até para [evitar] ataques ao seu irmão. Não é a direita, a esquerda. Esse cara [que o assassinou], pelo que tudo leva a crer, é um desequilibrado", disse Bolsonaro.

Durante a conversa, Luiz de Arruda criticou o uso político da morte. "A gente sabe que o ambiente era todo petista. Apareceu lá a Gleisi Hoffmann, que eu tenho pavor, mas como meu irmão é petista eu não vou falar nada. Está lá […] Ele era de esquerda e estão usando [para politizar o caso]", disse.

"O que nós não estamos admitindo, presidente, nessa parte, é a esquerda ficar utilizando o meu irmão como palco de politicagem. Isso nós não aceitamos de forma alguma", completou José.

A viúva, Pâmela Suellen Silva, disse ter ficado surpresa com o telefonema do presidente aos irmãos de Marcelo, que não estavam na festa. "Absurdo, eu não sabia", afirmou ao UOL.

Marcelo foi assassinado no sábado (9), enquanto comemorava seu aniversário com uma festa com temática do PT, em Foz do Iguaçu.

O petista foi baleado pelo policial penal bolsonarista Jorge Rocha Guaranho, que invadiu o salão de festas pouco depois de passar de carro diante do local e discutir com os participantes. Segundo testemunhas, dizia "aqui é Bolsonaro" e proferia xingamentos.

Ao invadir o salão, atirou contra Marcelo, que revidou. Jorge também acabou baleado e permanece internado.

A Polícia Civil do Paraná investiga se Jorge teve acesso a um aplicativo com imagens do clube onde acontecia a festa do militante petista antes de invadir o local.

Segundo participantes da investigação, Jorge pertenceu à diretoria da Aresf (Associação Recreativa e Esportiva da Segurança Física), clube onde ocorria a festa. A ideia é saber se ele ainda tinha acesso e viu as imagens ou se alguém contou para ele.

Isso é importante para a polícia saber se houve premeditação na primeira ida ao local e se há algum outro participante indireto no caso.

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