Lula intensifica busca por voto útil e recebe apoio de Meirelles e Cristovam no 1º turno

SÃO PAULO, SP, 19.09.2022 - O ex-presidente e candidato à Presidência da República pelo PT, Lula, participa de encontro com ex-presidenciáveis no Hotel Gran Mercure, na zona sul de SP, na manhã desta segunda-feira (19). (Foto: Marlene Bergamo/Folhapress)
SÃO PAULO, SP, 19.09.2022 - O ex-presidente e candidato à Presidência da República pelo PT, Lula, participa de encontro com ex-presidenciáveis no Hotel Gran Mercure, na zona sul de SP, na manhã desta segunda-feira (19). (Foto: Marlene Bergamo/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu na manhã desta segunda-feira (19) com políticos que já foram candidatos à Presidência em outras eleições, entre eles o ex-ministro da Fazenda e ex-secretário da Fazenda do Estado de São Paulo Henrique Meirelles (União Brasil) e o ex-senador Cristovam Buarque (Cidadania).

O encontro é mais um movimento da campanha do ex-presidente em busca da vitória no primeiro turno.

Meirelles foi presidente do Banco Central e Cristovam comandou o Ministério da Educação no governo Lula —Cristovam foi demitido pelo petista por telefone ainda no início do primeiro mandato.

Como a Folha de S.Paulo mostrou, a equipe do ex-presidente prepara uma ofensiva pelo voto útil e contra a abstenção, além de apostar na mobilização da militância nas ruas, para gerar uma onda decisiva na reta final da campanha presidencial.

Em sua fala, Cristovam disse que Lula é o melhor candidato para presidir o Brasil hoje e que é preciso liquidar a fatura do pleito no primeiro turno. Ele afirmou ainda que seria uma irresponsabilidade deixar a eleição para o segundo turno.

Cristovam foi demitido por telefone por Lula em janeiro de 2004, quando ocupava o Ministério da Educação.

Cristovam, que estava em Lisboa no dia da exoneração, teria dito a interlocutores que se sentia "frustraliviado" com a decisão. Lula, por sua vez, teria dito que o então senador seria um bom formulador, mas um mau gestor.

Meirelles afirmou que participa do encontro "com tranquilidade e confiança", porque sabe o "que funciona e o que pode funcionar no Brasil". Ele citou dados da gestão de Lula, quando atuou como presidente do Banco Central, e disse se pautar pelos fatos.

"Mostrar quem faz, quem realiza. Essa história de só falatório pode impressionar muita gente, mas acredito em fatos. Olho e vejo o resultado em seu governo e isso nos faz estar aqui", disse.

Em seu discurso, o Lula voltou a dizer que está trabalhando para tentar ganhar as eleições ainda no primeiro turno. "Cada gesto meu é na perspectiva de mostrar à sociedade que quero ganhar", disse.

O ex-presidente também afirmou que trata-se de uma eleição atípica, porque todos os candidatos, inclusive o presidente Jair Bolsonaro (PL), seu principal adversário na corrida eleitoral, estão "numa briga mais forte contra mim do que contra o próprio presidente".

"Eles não querem que eu ganhe no primeiro turno", disse Lula.

Aos ex-presidenciáveis, o petista afirmou que a reunião desta segunda "não é um compromisso com o Lula". "O que vocês estão fazendo é assumir um compromisso de que este país vai voltar a funcionar democraticamente", disse.

Ao lado de Meirelles, o ex-presidente voltou a criticar o teto de gastos, sem citar o mecanismo.

Meirelles foi responsável por criar o teto de gastos quando era ministro da Fazenda há cinco anos no governo Michel Temer (MDB).

Ao falar sobre a necessidade de investir na educação, o petista afirmou que "esse dinheiro não pode ser considerado gasto, tem que ser investimento".

"É uma disputa que a gente tem que fazer com aqueles que acreditam que tudo que você investe para o povo é gasto e tudo o que você coloca ao empresário é investimento", disse Lula.

Além de Meirelles e Cristovam, estiveram presentes nomes como o ex-governador Geraldo Alckmin (PSB), vice de Lula, a ex-ministra Marina Silva (Rede), que declarou apoio a Lula na semana passada, o líder sem-teto Guilherme Boulos (PSOL), o ex-prefeito Fernando Haddad (PT), a deputada estadual Luciana Genro (PSOL) e João Goulart Filho (PC do B).

Goulart Filho conta ter sido convidado para o encontro pelo ex-ministro Aloizio Mercadante no sábado (17). A equipe de Haddad também foi comunicada nessa data.

Organizador do encontro, Mercadante justificou a ausência da ex-presidente Dilma Rousseff alegando que ali estavam "divergentes" do PT que apoiam Lula no primeiro turno. Ele explicou a participação de Haddad pelo fato de ter substituído Lula nas eleições de 2018.

"A Dilma foi isto, a mensagem era unir os divergentes que já disputaram com Lula para derrotar o antagônico", disse.

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) afirmou que a campanha de Lula irá atrás de outras figuras até o dia 2 de outubro para compor essa aliança. "Essa fotografia está incompleta, ainda tem pessoas que vamos procurar. Essa foto é ampla e sintetiza o momento", disse.

Mercadante afirmou também que "a porta continua aberta para todos que quiserem vir".

Ex-presidenciáveis que integram partidos da aliança em torno de Lula Heloísa Helena (Rede) e Eduardo Jorge (PV) não compareceram. A ex-senadora já declarou seu apoio neste ano ao pedetista Ciro Gomes.

Já Eduardo Jorge é eleitor declarado de Simone Tebet (MDB) e já se manifestou publicamente contra a participação de seu partido na federação que reúne também PT e PC do B. Ele diz não ter sido procurado para participar do encontro.

"[O comando da campanha de Lula] não procurou. Nem eu procuro eles. A última vez que eu e o Lula nos falamos foi no século passado", disse Eduardo Jorge.

Haddad disse que a reunião serve para "celebrar as diversidades e nossas diferenças". "Porque o que existe no lado oposto é o autoritarismo que quer anular as nossas diferenças."

Alckmin afirmou que os presentes no encontro tinham projetos diferentes para o Brasil em suas candidaturas, mas que sempre tiveram em comum "a pedra basilar que é o respeito à democracia e ao povo brasileiro".

"É momento de grande alegria reencontrar aqui lideranças com espírito público que pensam de forma diferente, em muitos setores, mas estão comprometidas com a democracia brasileira", disse Alckmin.

Antes do encontro, Boulos afirmou à imprensa que, apesar de suas divergências com nomes como Meirelles e Alckmin, o que permite esse encontro é que a eleição de Lula "é a forma de preservar a democracia brasileira diante de um fascista no governo".