Lula mantém dianteira entre pobres, e Bolsonaro avança entre evangélicos, diz Datafolha

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A nova pesquisa Datafolha aponta tendências em fatias cruciais para as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL). O petista assegurou a permanência como preferido dos eleitores com renda de até dois salários mínimos, enquanto o presidente ampliou sua vantagem entre os evangélicos.

Lula, com 45% das intenções de voto na média geral, pontua 54% entre aqueles com renda familiar mensal de até dois salários mínimos, mesmo percentual da pesquisa anterior, divulgada em 1º de setembro.

Nesse estrato, no qual se encaixam 50% dos eleitores brasileiros, Bolsonaro passou de 25% para 26%, o que demonstra sua dificuldade de conquistar a parcela mais pobre --os mais endinheirados, porém, lhe dão fôlego. Ele soma 34% das intenções no cenário geral.

O atual mandatário avançou moderadamente entre os evangélicos, que já tendiam a apoiá-lo e têm sido alvo de acenos intensos do Planalto nas últimas semanas -a fatia corresponde a 27% do eleitorado.

A margem de erro do levantamento, feito na quinta (8) e nesta sexta-feira (9), é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. O instituto ouviu 2.676 eleitores em 191 municípios. A pesquisa, contratada pela Folha e pela TV Globo, está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-07422/2022.

Na divisão dos resultados por faixa de renda do entrevistado, a margem de erro é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos. A diferença entre os dois antagonistas nesse segmento é de 28 pontos.

O nível de rejeição também dá sinais importantes. Entre os mais pobres, a taxa dos que respondem que jamais votariam em Lula é de 30%, enquanto a de Bolsonaro bate 57%.

No caso dos evangélicos, a situação se inverte, com o candidato à reeleição alcançando performance superior à do rival. Bolsonaro foi de 48% para 51% dentro desse grupo, cuja margem de erro é de 4 pontos. Lula, por sua vez, tinha 32% e agora marca 28%. Em maio, alcançava 36%.

As taxas de rejeição acompanham o movimento, com 55% dos evangélicos afirmando que não votariam de jeito nenhum no petista, percentual que cai para 31% quando se trata do adversário.

Na tentativa de melhorar seus resultados com essa parcela, Lula participou nesta sexta-feira (9) em São Gonçalo (RJ) de ato organizado pelo núcleo evangélico do PT. Em seu primeiro encontro de campanha com líderes desse campo, disse que é guiado por Deus e que não precisa provar que acredita nele.

Entre as mulheres, que representam 52% do eleitorado e tendem a preferir Lula a Bolsonaro, o petista recuou dentro da margem de erro, que é de 3 pontos. Tem hoje 46%, ante 48% na rodada anterior da pesquisa. Bolsonaro passou de 28% para 29% agora.

Quando se analisa a rejeição, observa-se que a aversão das mulheres a Bolsonaro é superior à registrada por Lula. Enquanto 55% do eleitorado do gênero feminino afirma que não votaria de jeito nenhum no atual presidente, 36% dão a mesma resposta em relação ao ex-chefe do Executivo brasileiro.