Lula marca novo encontro com comandantes das Forças Armadas após expor desconfiança com militares

Após expor desconfiança com a atuação de militares durante os atos terroristas de 8 de janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reúne na sexta-feira com os comandantes das Forças Armadas. A reunião ocorre a partir das 10h no Palácio do Planalto com os comandantes do Exército, general Júlio Cesar Arruda; da Marinha, almirante Marcos Sampaio Olsen; e da Aeronáutica, tenente-brigadeiro do ar Marcelo Kanitz Damasceno. O ministros da Defesa, José Múcio Monteiro, e da Casa Civil, Rui Costa, também estarão na conversa.

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Este será o segundo encontro de Lula com os comandantes das forças após os atos terroristas de 8 de janeiro. O primeiro ocorreu no dia seguinte aos ataques, quando Lula foi duro ao demonstrar a indignação com a conduta dos militares durante os atos de vandalismo.

Conforme mostrou reportagem do GLOBO na terça-feira, o governo quer usar a reunião para virar a página do desgaste sofrido pelas Forças Armadas durante os ataques em Brasília, tratando de demandas específicas de cada força, em uma tentativa de empregar uma agenda positiva.

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A tensão do Palácio do Planalto com os militares está concentrada no comandante do Exército, general Júlio Cesar de Arruda. Foi em frente a quartéis do Exército que milhares de manifestantes acamparam por mais de 60 dias contestando a vitória de Lula.

Oficialmente, a pauta da reunião será sobre projetos de modernização das Forças. O governo têm planos de usar as Forças em projetos de ciência, tecnologia, geração de emprego e formação de mão de obra, aumentando investimentos no Exército, Marinha e Aeronáutica. Cada comandante deverá mostrar ao presidente um relatório com demandas e diagnósticos da sua área. O material foi solicitado por Lula na primeiro encontro que ele teve com os novos comandantes, em 16 de dezembro. O presidente da Fiesp, Josué Gomes, também estará na conversa.

Petistas próximos a Lula, contudo, entendem que o presidente deveria aproveitar a reunião para repetir o que disse ontem em entrevista GloboNews, quando afirmou que os militares que quiserem fazer política devem tirar a farda.

— E eu quero que a gente volte à normalidade, é isso. As pessoas estão aí para cumprir as suas funções e não para fazer política. Quem quiser fazer política, tire a farda, renuncie ao seu cargo, crie um partido político e vá fazer política — afirmou na entrevista.

Para aliados, será uma nova oportunidade de Lula, como comandante em chefe das Forças, reforçar o pedido para que militares cumpram seu dever constitucional se exercer a defesa do Estado brasileiro.

Não há consenso no entorno do presidente sobre essa fala. Integrantes do governo, ressaltam que esta não é a pauta do encontro e reforçam que as investigações irão apontam eventuais irregularidades, sejam de civis ou militares, e que estas pessoas, responderão pelos seus atos. Por esta leitura, indivíduos que tenham praticado atos ilícitos durante os atos não podem comprometer o funcionamento de suas instituições.