'Lula não teria sido derrubado. O golpe é sexista', diz ex-ministra de Dilma

Roberto Stuckert Filho/PR

Ex-ministra do governo Dilma Rousseff, Eleonora Menicucci é categórica sobre o impeachment da ex-chefe: “Com todo respeito, se fosse o Lula ele não teria sido golpeado. O golpe é sexista, parlamentar, capitalista, internacional, midiático e judiciário. Dilma não tinha crime de responsabilidade. Eles não admitem serem governador por uma mulher”, afirmou em entrevista ao UOL.

Eleonora é amiga de longa data da ex-presidente – elas dividiram a cela quando foram presas durante a ditadura militar. Mineira, ela conta que começou no ativismo político ainda no colégio, aos 13 anos – hoje, tem 73.

Como ministra da Secretaria de Política para Mulheres durante o governo Dilma, ela diz se orgulhar de conquistas como a lei do feminicídio (2015) e a Casa da Mulher Brasileira, projeto de acolhimento a vítimas de violência, e chama o aborto de “tema absolutamente sem diálogo com o Congresso Nacional”.

“Essa legislatura que acaba em 2018 é a mais reacionária, a mais conservadora, a mais fundamentalista. Nela, aborto é intratável”, justifica.

Questionada sobre o fim da Secretaria de Políticas para as Mulheres no governo Temer, ela diz que isso significa que “as mulheres têm que voltar para o tanque e para o fogão, de onde nunca deveriam ter saído. Temer já declarou no último dia 8 de Março, com mais de 500 mil mulheres nas ruas do país, que somente nós somos capazes de indicar ‘desajustes’ de preços no supermercado. Não tenho dúvidas: mulheres não são prioridade para esse governo”, dispara.

Em 2016, o ator Alexandre Frota processou a ex-ministra por calúnia depois de uma declaração dela à colunista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S. Paulo. Indignada com o fato de Frota ter sido convidado para conversar com o ministro da Educação Mendonça Filho sobre o Escola Sem Partido, ela disse que lamentava que a primeira pessoa que o ministro quisesse ouvir fosse “um senhor que faz apologia ao estupro.”

Dois anos antes, Frota disse em um programa de TV que havia estuprado uma mãe de santo até ela perder os sentidos. Eleonora ganhou a causa em segunda instância em outubro deste ano. Questionada sobre o caso, ela disse que “jamais” pediria desculpas a ele – o ator tentou uma reconciliação, dizendo que tiraria o processo caso ela se retratasse.

“Jamais rasgaria minha história pedindo desculpas a ele. Minha vida tem sido pautada na luta pela democracia e pelos direitos das mulheres. Quando disse que não concordava, eu estava lutando pelas brasileiras. Hoje, a vitória desse processo não é minha, é das mulheres”, argumentou.