Lula nega decisão sobre vice, mas elogia Alckmin e diz que diferenças não são irreconciliáveis

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Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) - Depois das notícias de que estaria negociando com o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin para ser candidato à vice-presidente, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou nesta segunda-feira que já tenha uma decisão sobre sua chapa, mas disse ter "um profundo respeito" pelo ex-governador e não descartou o acordo.

"Eu tenho uma extraordinária relação de respeito com Alckmin, eu fui presidente quando ele foi governador, nós conversamos muito. Não há nada que aconteceu entre eu e Alckmin que não possa ser reconciliado", disse Lula em uma entrevista durante sua visita ao Parlamento Europeu, em Bruxelas.

O ex-presidente está em uma viagem de 10 dias a vários países europeus, onde tem encontrado líderes como o próximo chanceler alemão, Olaf Scholz, e o ex-presidente espanhol José Luis Zapatero.

Lula disse que ainda não há decisão ou negociação porque nem ele mesmo teria decidido se será ou não candidato --uma afirmação que não é levada a sério nem dentro do PT--, mas que já foram especulados "22 vices e 8 ministros da Fazenda" em sua chapa que ele nunca teria discutido.

"Eu não estou discutindo vice ainda porque não discuti a minha candidatura. Quando eu decidir aí eu vou sair a campo para encontrar alguém para ser vice", disse o ex-presidente.

Perguntado sobre a possibilidade, na última sexta-feira Alckmin disse que não existe uma decisão sobre o que vai fazer em 2022, mas que se sentia honrado com a lembrança, e elogiou Lula.

"A política precisa ser feita com civilidade, com quem tem apreço pela democracia. Em relação a candidaturas, a decisão não é agora, não é já", disse Alckmin. Perguntado se o ex-presidente teria apreço pela democracia, respondeu: "Mas é claro que tem, e não só ele".

Apesar da negativa do ex-presidente, fontes ligadas ao partido contaram a Reuters que há sim conversas entre pessoas próximas de Lula e aliados de Alckmin para formar uma chapa para 2022, mas muito longe ainda de um consenso ou de um convite.

Nem mesmo um encontro pessoal entre os dois aconteceu. Dentro do PT, no entanto, há quem defenda a possibilidade com base na ideia de mostrar que um futuro governo Lula seria, de fato, um governo de aliança nacional.

Tucano até o momento, o ex-governador sempre foi um adversário do PT, mas tem boa relação com o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, um dos intermediários das conversas, e com o próprio Lula.

A negociação, no entanto, teria que incluir a decisão do ex-governador de se filiar ao PSB --a decisão de sair do PSDB já está tomada-- em vez do PSD de Gilberto Kassab, com quem Alckmin vinha negociando. O convite já foi feito, mas o ex-governador ainda pesa suas possibilidades.

Brigado com o atual governador de São Paulo, cuja entrada na política ele apadrinhou, Alckmin sairá do PSDB depois das prévias para candidatura a presidente que os tucanos fazem no próximo domingo. Inicialmente, a ideia era ser candidato a governador pelo PSD, uma eleição dada como certa.

Mas, como Kassab está firme na ideia de lançar o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (MG), à Presidência, uma aliança com o PT teria que vir através do PSB.

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