Lula no JN: ex-presidente já foi sabatinado pelo jornal; relembre

Lula fala durante reunião com empresários na Fiesp, em São Paulo, 9 de agosto de 2022 (Foto: AP Photo/Andre Penner)
Lula fala durante reunião com empresários na Fiesp, em São Paulo, 9 de agosto de 2022 (Foto: AP Photo/Andre Penner)

O Jornal Nacional, da TV Globo, entrevistará nesta quinta-feira (25), às 20h30, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato ao Palácio do Planalto. O petista é o terceiro candidato a participar da série de entrevistas do telejornal com os presidenciáveis mais bem colocados na pesquisa de intenção de voto divulgada pelo Instituto Datafolha em 28 de julho.

Mas não será a primeira vez que Lula será entrevistado no Jornal Nacional como candidato à Presidência: o petista ficou cara a cara com os jornalistas William Bonner e Fátima Bernardes em 2002 e 2006. Atualmente, Renata Vasconcellos ocupa o lugar de Fátima.

As entrevistas deste ano têm duração de 40 minutos. Naquela época, os candidatos a presidente tinham cerca de 11 minutos e 30 segundos para responder às perguntas dos apresentadores.

2002

Há 20 anos, Lula, que ganhou aquela eleição, foi até a bancada do Jornal Nacional para ser entrevistado por Bonner e Fátima. A seguir, confira alguns dos temas abordados na sabatina:

Experiência

A primeira pergunta do âncora do telejornal foi se o petista não considerava “arriscado” o desafio de assumir a Presidência “sem ter uma experiência administrativa anterior”. Lula foi enfático ao dizer que conseguiu experiência viajando pelo Brasil durante 30 anos.

Bonner insistiu e falou que muitos brasileiros conheciam o país na palma da mão “ou porque viajaram ou estudaram, in loco, geografia, história e tal”. “Nem por isso se julgam em condição de disputar a Presidência. Daí a pergunta”, acrescentou o jornalista.

O petista riu e respondeu: "Acontece, meu caro, que lendo ou vendo televisão você não conhece nada. Você precisa ver, sentir, ouvir a palpitação das pessoas para poder sentir como é fácil encontrar soluções para os problemas dos brasileiros."

"Eu estou nessa vida me preparando há mais de 30 anos e estou convencido que o PT precisa dessa chance, e que o povo brasileiro precisa da experiência do PT para que a gente possa sair dessa situação de empobrecimento que está o nosso país", completou Lula.

Copa do Mundo

O petista não foi questionado sobre o tema, mas antes de responder a primeira pergunta de Fátima Bernardes, Lula a parabenizou pela atuação no campeonato —ela tinha feito a cobertura da seleção brasileira.

"Parabéns pela representação que fez da mulher brasileira na Copa do Mundo. Até então o futebol era só coisa de homem", disse ele.

Corrupção

Lula, então, respondeu a pergunta da âncora do Jornal Nacional sobre corrupção.

"Nós queremos que o Ministério Público, a polícia, o Poder Judiciário e a CPI ajam para apurar. E se tiver culpado, pode ser do PT ou de qualquer partido político, tem que ser punido no Brasil, porque precisamos acabar com a impunidade", afirmou.

Alianças

O petista falou também que queria o apoio de todos os brasileiros que acreditavam que o PT podia mudar a situação do país.

“Não sou polícia nem Justiça. Eu sou político. Quando fazemos política, não precisamos fazer o mesmo que os outros fazem. Mas a arte da política é conversar, e você conversa com amigos e inimigos. Se não fosse assim, não teria tido acordo para terminar a Segunda Guerra Mundial."

Primeira ação em caso de vitória

Em sua última resposta, Lula falou que o Brasil precisava acreditar no seu povo, no seu desenvolvimento e gerar empregos, e revelou o seu principal desejo para o país.

"Eu tenho um sonho de garantir a cada criança brasileira, a cada mulher, a cada homem, no mínimo, comer três refeições por dia. E do jeito que está essa política econômica vai ficar mais fácil as pessoas passarem três dias sem comer."

2006

Naquela ocasião, Lula era presidente da República e tentava a reeleição. A sabatina feita por Bonner e Fátima aconteceu no Palácio da Alvorada, em Brasília —as regras mudaram e, por isso, as entrevistas com os candidatos mais bem colocados deste ano acontecem nos estúdios da emissora, no Rio de Janeiro. A seguir, veja alguns pontos da sabatina:

Mensalão

Bonner iniciou a entrevista falando sobre a denúncia do Ministério Público contra uma "quadrilha" que tinha como objetivo "desviar recursos de órgãos públicos e de estatais para pagar dívidas antigas do PT e novas despesas, tanto da campanha quanto de partidos aliados, e garantir que o partido continuasse no poder comprando apoio de outros partidos, em referência ao mensalão".

Lula afirmou que em seu governo a PF (Polícia Federal) e a CGU (Controladoria-Geral da União) trabalhavam "de forma excepcional" para investigar toda e qualquer denúncia.

"Eu lamento profundamente que companheiros tenham feito coisas que ainda serão julgadas. Mas nós facilitamos para que tudo seja investigado. Afastamos todas as pessoas que estavam na alçada do presidente da República, facilitamos os trabalhos da CPI", disse.

Irregularidades

Lula afirmou que não sabia dos casos de corrupção em sua gestão.

“Como pode alguém querer que o presidente da República, embora tenha que assumir responsabilidades por todos os atos, saiba de tudo que está acontecendo?”, indagou.

"Nunca tanta gente foi presa nesse país, e de crimes que aconteceram em 85, 80, 90. Foram quadrilhas históricas que estavam debaixo do tapete e nós resolvemos colocar os órgãos públicos para funcionar. [...] Nós não queremos esconder absolutamente nada", seguiu.

Punição

Bonner perguntou o que fez Lula mudar de opinião sobre punição. Isso porque, de acordo com o jornalista, antes de se tornar presidente, o petista “veementemente cobrava punição [como o afastamento do cargo] para quem fosse suspeito de algo, mesmo que as culpas não tivessem sido provadas ainda”.

Lula negou a fala do apresentador e afirmou que nunca pediu para alguém ser condenado antes que a culpa fosse provada.

"Todos que estavam dentro do governo federal foram afastados, sem distinção, e vou continuar afastando. Agora, punir significa respeitar o estado de direito. Eu quero para todo mundo o que eu quero para mim: o direito de provar que sou inocente, e o meu acusador provar que eu sou o culpado", argumentou o então presidente.

E acrescentou: "O governo não acusa. O governo age, afasta e abre sindicância, e os órgãos do Poder Judiciário e da Polícia Federal que vão investigar. E essa é a única forma de continuarmos combatendo a corrupção e a malversação do patrimônio público do país."

Segurança pública

Bonner perguntou o que tinha sido feito até então com relação ao tráfico de drogas, que ainda aterrorizava a população brasileira.

"A Polícia Federal está prendendo quadrilhas vinculadas ao narcotráfico como jamais foi feito nesse país. Estamos investindo de forma excepcional na inteligência da Polícia Federal e para criar condições de trabalho", falou o petista.

Reeleição

Em caso de mais uma vitória, Lula afirmou que daria sequência ao que já estava sendo feito.

"O Brasil vive o seu melhor momento econômico. As únicas coisas que caem são a inflação e os juros."

SABATINA DO JORNAL NACIONAL

O Jornal Nacional, da TV Globo, realiza tradicionalmente a sabatina de perguntas com os candidatos à Presidência da República mais bem colocados nas pesquisas eleitorais.

A condução dos questionamento é feita pelos apresentadores do Jornal Nacional: William Bonner e Renata Vasconcellos. As entrevistas ocorrem nos estúdios da Globo no Rio de Janeiro.

A sabatina pela qual os candidatos serão submetidos é considerada fundamental por estrategistas das campanhas, que veem uma boa possibilidade de conseguir "furar a bolha" e expor suas ideias no telejornal de maior audiência do país. As sabatinas do Jornal Nacional preveem 40 minutos de participação de cada candidato.

Veja como foi a sabatina de Jair Bolsonaro no Jornal Nacional

O primeiro presidenciável entrevistado foi o atual presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL). Bolsonaro abriu a série de entrevistas na segunda-feira (22). Ciro Gomes, do PDT, foi o entrevistado de terça (23). Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participará hoje e Simone Tebet (MDB) fechará a série, na sexta (26).

A seleção dos candidatos teve por base as cinco melhores colocações na pesquisa eleitoral divulgada pelo Datafolha em 28 de julho: Lula, Bolsonaro, Ciro, Tebet e André Janones (Avante). Janones, no entanto, decidiu retirar sua candidatura.

A ordem das entrevistas e as datas foram decididas em um sorteio realizado em 1º de agosto com representantes dos partidos.