Lula promete financiamento dos sindicatos, porém sem imposto sindical

Em reunião com sindicatos, Lula definiu novos caminhos para lidar com a reforma trabalhista (AP Foto/Peter Dejong)
Em reunião com sindicatos, Lula definiu novos caminhos para lidar com a reforma trabalhista (AP Foto/Peter Dejong)
  • Reunião com sindicatos definiu parâmetros para novas políticas trabalhistas do governo Lula;

  • Governo e entidades sindicais rejeitam a volta do imposto sindical;

  • Política de valorização do salário mínimo deve ser retomada, afirmam lideranças sindicais.

Em uma reunião com representantes de 22 centrais sindicais, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva ouviu das organizações suas opiniões sobre o futuro do setor trabalhista brasileiro. No encontro, realizado nesta quinta-feira (01), Lula afirmou que irá trabalhar junto ao Congresso para criar uma nova forma de financiamento para as entidades.

Estavam presentes a CUT, Força Sindical, UGT, CTB, NCST, CSB, Intersindical Central Sindical, Pública, Conlutas, Intersindical Instrumento de Luta, Fequimfar, Bancários, Contraf, Metalúrgicos do ABC, Apeoesp, Contag, FUP, Metalúrgicos Grande Curitiba, Federação dos Metalúrgicos de São Paulo, Eletricitários, Trabalhadores da Construção SP e Fenamoto.

A reunião, realizada no Centro Cultural Banco do Brasil de Brasília, sede do governo de transição, foi fechada à imprensa, mas a assessoria do presidente eleito e líderes sindicais comentaram quanto ao que foi discutido. Em nota, a assessoria afirmou: “O presidente eleito disse que recriará a mesa de negociação, de trabalho e conselhos, além de trabalhar junto ao Congresso para a aprovação de artigo na legislação sobre o financiamento dos sindicatos, sem retorno do imposto sindical”.

Imposto sindical

O fim do imposto sindical parece ter sido uma demanda tanto por parte do governo, quanto das entidades sindicais, que veem necessidade de atualizar o método de financiamento de acordo com os novos tempos.

“Nós vamos criar a mesa de negociação, nós vamos criar mesa de trabalho, vamos criar o que for necessário criar. E vamos ter que convencer a Câmara dos Deputados de que as finanças dos sindicatos serão decididas pelos trabalhadores em assembleia livre e soberana”, afirmou Lula na reunião, segundo a nota.

Reforma trabalhista

As entidades sindicais também parecem não querer uma revogação completa da reforma trabalhista, ao que Lula prometeu encontrar uma “nova regulação no mundo do trabalho sem “voltar ao passado”.

“Quero dedicar o meu tempo em como é que nós vamos fazer para recuperar esse país, para gerar empregos, para atrair investimento estrangeiro para cá, sobretudo investimento direto para que a gente possa fazer uma nova regulação no mundo do trabalho, sem querer voltar ao passado”, afirmou o presidente, de acordo com o comunicado.

Salário mínimo

Outro grande tema de discussão foi a retomada da política de valorização do salário mínimo, posta em prática em todos os anos do governo PT. Para Ricardo Patah, presidente da central sindical UGT, central ligada ao PSD de Gilberto Kassab, a medida é de extrema importância.

"Não há dúvidas que o salário mínimo logo deste ano não vai dar para ser aquele valor que nós gostaríamos, mas vai ter uma política que em alguns anos vamos recuperar um dos instrumentos de distribuição de renda que é o salário mínimo", disse.