Lula promete trabalhar com o Congresso em sua primeira reunião ministerial

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu, nesta sexta-feira (6), com seus 37 ministros pela primeira vez, prometendo trabalhar com o Congresso para "reconstruir" o país, depois de quatro anos do "governo autocrático" de Jair Bolsonaro.

Ao abrir a reunião, Lula disse que é necessária uma "boa relação com o Congresso". Para conseguir avançar em sua agenda, o governo do petista precisará se esforçar para conseguir apoio na Câmara dos Deputados e no Senado, que ficaram ainda mais inclinados à direita após as eleições de outubro.

"Nossa tarefa é uma tarefa árdua, mas é uma tarefa nobre porque a gente vai ter que deixar este pais melhor", disse Lula, que, no mês passado, afirmou que herdava de Bolsonaro um Brasil em "situação de penúria".

Os 37 ministros de Lula formam um grupo variado de políticos experientes e profissionais, que inclui 11 mulheres, cinco pessoas negras e duas indígenas, um contraste com o governo anterior, dominado por homens brancos, 'outsiders' da política e militares.

"Nós não somos um governo de pensamento único", assinalou Lula, ao exigir a seus colaboradores que se esforcem para chegar a ideias convergentes para a "reconstrução deste país" depois do "governo autoritário" de Bolsonaro.

De pé e na extremidade de uma enorme mesa oval no Palácio do Planalto, o político de 77 anos também prometeu tratar seus ministros como se fosse "uma mãe": "com muito respeito, muita educação e exigindo muito trabalho de cada um de vocês".

Os primeiros dias de gestão do terceiro mandato de Lula ficaram marcados por algumas contradições e divergências sobre as diretrizes que o governo vai adotar, gerando incerteza e impacto no mercado.

Aliados de Lula deixaram dúvidas sobre a possibilidade de interferir, por exemplo, na política de preços da Petrobras e na necessidade de uma revisão da reforma da previdência, duas possibilidades que foram logo desmentidas.

Em outro caso de desentendimento evidente, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, havia pedido ao governo em fim de mandato de Bolsonaro, ainda durante a transição, que não prorrogasse a desoneração de tributos federais sobre os combustíveis, para evitar um impacto nas contas públicas.

Não obstante, o novo governo optou por manter a desoneração por mais dois meses, deixando de arrecadar recursos para os cofres públicos, segundo analistas para evitar o mal-humor da população nas primeiras semanas de gestão.

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