Lula quebrou protocolos e não quis deixar ninguém para trás, diz influenciador que entregou a faixa

***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 02.01.2023 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 02.01.2023 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quebrou protocolos durante a cerimônia de posse realizada no domingo (1º), afirma o influenciador Ivan Baron, um dos oito protagonistas da passagem da faixa presidencial.

A orientação dada por cerimonialistas, conta, era de que os escolhidos para representar o povo brasileiro caminhassem atrás do mandatário durante a subida pela rampa do Palácio do Planalto. "Mas o Lula não quis saber de ninguém atrás dele", diz Ivan à reportagem.

De acordo com o influenciador, que tem paralisia cerebral e atua pela inclusão e contra o capacitismo nas redes sociais, o petista teria pedido aos presentes que dessem as mãos uns aos outros. "Isso representa o novo governo dele, que é inclusivo e que escuta. Aquilo, para mim, calou a boca de muita gente. Era a diversidade tomando posse e representando o Brasil de verdade", afirma.

Ivan Baron foi a Brasília prestigiar a solenidade sem saber que participaria do momento histórico. Cerca de uma semana antes da cerimônia, o jovem do Rio Grande do Norte recebeu uma ligação da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, dizendo que teria uma missão especial durante a posse.

Ele só soube do motivo de sua presença quando faltava menos de uma hora para que Lula discursasse perante o Congresso Nacional. "Você topa subir a rampa comigo?", teria perguntado Janja, segundo o influenciador.

"Não teve ensaio. Foi tipo um BBB [da TV Globo], a gente se conheceu naquele momento e compartilhou histórias", brinca. "A maioria do pessoal que me viu na noite anterior, quando eu comemorei o Ano Novo, perguntou: 'Pô, por que não me contou?'", relembra.

O sentimento de que faria parte de algo importante ajudou Ivan Baron a se precaver e a buscar uma roupa que considerasse à altura da ocasião. Ao coletivo de moda Tela Ambulante, encabeçado pelos artistas Victor Hugo Souliver e Juliana Gomes da Silva, encomendou um terno que transmitisse uma mensagem.

"Eu só falei que era para a posse, mas não expliquei detalhes. Falei que tinha que ser um look com objetivo político, que não queria [algo] apenas bonito, e deu no que deu. Eu apenas joguei a responsabilidade neles", diz, rindo. A primeira prova do terno escolhido foi feita na quinta-feira (29).

"Eu estava pronto para aquele momento, mas nem imaginava que o mundo todo pararia para me ver", afirma Ivan. A peça com que subiu a rampa do Planalto trazia palavras e frases como "acolher", "parem de nos excluir", "anticapacitismo" e "inclusão" estampadas sobre um tecido branco.

Passados três dias desde a cerimônia de posse de Lula, Ivan Baron afirma que "a ficha ainda não caiu". "O anonimato já era", diz ele, que ganhou cerca de 100 mil novos seguidores no Instagram desde então, alcançando a marca de 449 mil deles em seu perfil.

"Quase que eu perdi a hora do voo [de volta de Brasília para Natal]. Eram muitas pessoas querendo me parabenizar, e eu não consigo dizer apenas obrigado, quero saber a história delas. Acho que a simpatia às vezes atrapalha", brinca. "Mas não quero mudar o meu jeito."

Ivan Baron afirma que ainda vai precisar de um tempo para absorver tudo o que viveu no último domingo. "A emoção de estar representando uma população que durante esses anos foi bastante excluída e teve seus direitos negados... Nunca que uma pessoa como eu sonharia em subir uma rampa de mãos dadas para dar a posse [a um presidente]", diz.

"Ninguém estava ali por acaso. Nossa primeira-dama soube escolher bastante quem seriam esses convidados ilustrados."