Lula quer investir em vacinação e acesso a especialistas, diz membro da campanha

***ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, 22.08.2022 - O ex-presidente Lula participa do lançamento do livro. (Foto: Marlene Bergamo/Folhapress)
***ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, 22.08.2022 - O ex-presidente Lula participa do lançamento do livro. (Foto: Marlene Bergamo/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Promover grandes campanhas nacionais para aumentar a cobertura vacinal contra doenças diversas é uma das propostas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a saúde. A afirmação foi feita pelo senador Humberto Costa (PT-PE), representante da campanha de Lula à presidência, durante sabatina realizada pelo jornal Folha de S.Paulo nesta sexta-feira (26).

O plano de ação teria caráter emergencial e começaria com a identificação das vacinas que não alcançaram a meta adequada de público-alvo. Segundo dados da CNM (Confederação Nacional dos Municípios), nenhum dos imunizantes disponíveis no PNI (Plano Nacional de Imunização) atingiu cobertura superior a 80% desde 2016.

A partir disso, seriam feitas campanhas de combate à desinformação e de conscientização sobre consequências da volta de doenças que são controláveis com vacinas, como a poliomielite —neste caso, a cobertura ideal entre crianças deveria ser de 95%, mas foi de apenas 67% em 2021, segundo o Ministério da Saúde. No calendário infantil, também houve queda em imunizantes como a tríplice viral (contra sarampo, caxumba e rubéola).

Outras possíveis estratégias serão, diz o senador, a exigência da caderneta de vacinação atualizada em programas de transferência de renda e a facilitação da busca pela imunização por meio da ampliação dos horários de funcionamento das UBSs (Unidades Básicas de Saúde) e da promoção de vacinação em escolas, por exemplo.

"Deveremos ter, em uma data próxima ao início do governo, um grande dia nacional de vacinação para recuperação da cobertura de forma mais ampla e um trabalho permanente de abertura de espaços em que as pessoas possam ter acesso à vacina."

Lula também pretende retomar políticas públicas como o Mais Médicos para preencher lacunas na atenção primária.

"Uma das nossas ideias é retomarmos, não com esse nome, mas com os mesmos princípios, o Mais Médicos, para que possamos levar a áreas onde há vazios assistenciais importantes —como aldeias indígenas, populações quilombolas, assentamentos de reforma agrária e periferias das grandes cidades— a presença do profissional médico, a possibilidade da telessaúde e uma melhora desse atendimento na atenção básica", diz.

O programa conservaria os princípios originais de ampliar o acesso à saúde, mas não traria médicos cubanos, segundo Costa. O senador diz que, como há mais profissionais formados hoje, a estratégia seria melhorar as condições de trabalho no sistema público e incentivar a capacitação facilitando a realização de residência médica, por exemplo.

Como novidade, a telemedicina seria acrescentada à política para agilizar o acesso a especialistas e, consequentemente, ao diagnóstico e ao tratamento em tempo hábil, principalmente para pacientes oncológicos e com problemas cardiovasculares.

O recurso possibilitaria, diz Costa, o intercâmbio entre profissionais da atenção primária, que atuam na Estratégia Saúde da Família, e especialistas de outros estados, que poderiam discutir juntos um quadro clínico. Para isso, a proposta é garantir que as UBSs tenham acesso à internet e que haja comunicação entre os sistemas de dados novos e os já existentes para interligar informações de saúde dos pacientes.

Outro plano da campanha para a saúde é a criação de uma rede nacional de vigilância epidemiológica que trabalharia junto com estados e municípios, além de universidades, de institutos de pesquisa e do setor privado. O intuito do órgão seria monitorar doenças emergentes —como a varíola dos macacos, que já tem 4.216 casos confirmados no Brasil, segundo balanço divulgado pelo Ministério da Saúde nesta quinta (25)—e negligenciadas, como tuberculose e hanseníase, diz o senador.

Para que a proposta se concretize e o país esteja preparado para novas emergências sanitárias, como a pandemia de Covid-19, concursos públicos seriam abertos para ampliar o quadro de funcionários de órgãos como a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) e o INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial).

O senador citou como proposta a revogação do teto de gastos para que se aumente o investimento em saúde, considerando o envelhecimento populacional e a necessidade de incorporar tecnologias de alto custo ao SUS (Sistema Único de Saúde). A meta é fazer com que os gastos públicos, sobretudo os federais, passem a representar a maior parte do investimento que o país faz no setor.

Costa é médico, jornalista e foi ministro da Saúde entre 2003 e 2005, no primeiro mandato de Lula. Ele foi o terceiro e último entrevistado do ciclo de sabatinas sobre saúde promovidas pela Folha com patrocínio da Interfarma (Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa).

Cláudia Collucci, repórter especial do jornal, conversou com membros das campanhas de três dos quatro presidenciáveis mais bem colocados nas pesquisas eleitorais: Lula (PT), Ciro Gomes (PDT) e Simone Tebet (MDB). A equipe de Jair Bolsonaro (PL), candidato à reeleição, foi convidada, mas optou por não enviar um representante.

A saúde é o tema que mais preocupa os brasileiros, segundo pesquisa Datafolha de julho de 2022 —para 20% dos entrevistados, a gestão da saúde é o maior problema do Brasil. Em seguida, aparecem a economia (13%), o desemprego (10%), a fome/miséria (10%) e a inflação (9%).