Lula rebate criticas de bolsonaristas: 'O MEI foi criado por mim'

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) rebateu, neste sábado, ataques de bolsonaristas que usaram uma fala do petista no debate de sexta da Rede Globo sobre Microempreendedor Individual (MEI) para desgastá-lo. Lula destacou que o MEI foi criado por ele, depois que aliados do presidente Jair Bolsonaro (PL) o acusaram de ser contra a categoria. No debate, o ex-presidente criticou o governo Bolsonaro por "colocar o MEI como se fosse emprego" em medição do governo sobre aberturas de vagas no Brasil.

— Ontem no debate eu fiz questão de tentar provar o quanto o presidente é mentiroso. E eu vou contar uma mentira que ele está tentando agora trabalhar nas redes sociais. Uma grande mentira. O desemprego e o emprego era medido no Brasil por uma instituição chamada Caged. Isso foi assim historicamente. Eles mudaram a regra e colocaram o MEI como se fosse um trabalhador registrado em carteira profissional de emprego. E eu disse que eles estavam errados, que eles não podiam colocar o MEI como essa relação empregado e empregador. O MEI é um pequeno empreendedor que eu que criei no meu governo — disse Lula a jornalistas, em uma entrevista de imprensa antes do início de uma caminhada em São Paulo.

Com a presença ex-presidente do Uruguai José Mujica, Lula concedeu uma coletiva de imprensa antes de realizar o último ato de sua sexta campanha presidencial, nesta tarde na Avenida Paulista, em São Paulo. Neste domingo, ele enfrenta o presidente Bolsonaro no segundo turno.

Na fala à imprensa, Lula ainda chamou o ex-juiz da Lava-Jato e senador eleito Sergio Moro (União) de "mentiroso" e criticou o fato dele ter acompanhado Bolsonaro no debate.

Lula minimizou a possibilidade dele vencer e Bolsonaro não querer passar a faixa presidencial. O petista disse que "isso é o de menos" e que só aconteceu na transição do último presidente da ditadura militar, João Figueiredo, para José Sarney. O ex-presidente também afirmou esperar que Bolsonaro não atrapalhe a estruturação de um governo de transição, o que é uma das preocupações da campanha do PT.

— Nós só temos um caso do presidente (João) Figueiredo que não quis passar a faixa para o presidente (José) Sarney. Isso é o de menos. Se for necessário recebo a faixa do povo brasileiro. Coloco lá uma centena de trabalhador para me entregar a faixa. Não precisa ser ele. Mas se ele for educado e civilizado, ele simplesmente reconhece, telefona para o vitorioso. Nós vamos propor montar uma equipe para fazer transição. Espero que ele faça a transição — disse Lula.

Ao lado de seu vice, Geraldo Alckmin (PSB), e de seu candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), Lula encerra sua campanha em um cortejo, aberto por motoboys. Atrás, o ato terá alas, simulando um desfile de escola de samba, que simbolizam os desafios que a campanha espera que o ex-presidente enfrente em um eventual novo governo. Os temas das alas serão trabalho, saúde, meio ambiente, inflação e carestia, habitação e moradia e direitos humanos.

Após a caminhada, Lula deve assistir à final da Libertadores entre Flamengo e Atlético-PR em sua casa, na Zona Oeste de São Paulo.

No domingo pela manhã, o ex-presidente irá votar em São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo. Em seguida, o petista deve passar o resto do dia em casa, onde também acompanhará a apuração ao lado de aliados próximos.

No primeiro turno, Lula viu a contagem de votos em um hotel. Agora, a ideia é que ele só vá para o hotel para fazer o pronunciamento depois que a apuração estiver encerrada.