Lula receberá faixa de criança, indígena, negro e mulher em nome do 'povo brasileiro'

BRASILIA, DF,  BRASIL,  01-01-2023: O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acompanhado da primeira dama Janja da Silva, acenam para o público durante o desfile em carro aberto da posse, que se inicia na Catedral Metropolitana de Brasília e vai até o Congresso Nacional. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
BRASILIA, DF, BRASIL, 01-01-2023: O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acompanhado da primeira dama Janja da Silva, acenam para o público durante o desfile em carro aberto da posse, que se inicia na Catedral Metropolitana de Brasília e vai até o Congresso Nacional. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai receber a faixa presidencial do "povo brasileiro", simbolizado nas figuras de uma criança, de um indígena, de um negro e de uma mulher. O ato ocorrerá no Palácio do Planalto, após o petista ser empossado pelo Congresso Nacional.

Jair Bolsonaro (PL) se recusou a passar a faixa para seu sucessor, desprezando o rito democrático —ele embarcou na sexta-feira (30) para os Estados Unidos para passar a virada do ano.

Desde que Bolsonaro sinalizou a apoiadores que não participaria da posse, os detalhes da entrega da faixa presidencial viraram motivo de especulação e foram tratados como mistério pelo entorno do petista.

Às vésperas do evento, os detalhes ficaram restritos, além do próprio petista, apenas à primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, e ao fotógrafo Ricardo Stuckert, que cuida da imagem do ex-presidente há duas décadas.

"Quem entrega a faixa é o povo brasileiro, que, segundo a Constituição, é o detentor do poder", disse, neste domingo (1º), o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), escolhido para ser líder do governo no Congresso.

Segundo interlocutores de Lula, duas ideias eram discutidas: que o petista recebesse a faixa de um grupo de pessoas que representassem a diversidade do povo brasileiro ou de um grupo de crianças, para simbolizar não só a diversidade do país, mas também o futuro.

Havia ainda a possibilidade de que o presidente do Congresso, senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), passasse a faixa. Ele foi sondado por petistas, mas segundo interlocutores do parlamentar, a transição não confirmou se pretendia levar adiante a ideia.

Nas redes sociais, petistas fizeram campanha para que o acessório fosse entregue a Lula por Dilma Roussef, que teve seu mandato interrompido em 2016 após processo de impeachment. A ideia, no entanto, não chegou a ser considerada pela ex-presidente nem por Janja, segundo relatos.

A faixa presidencial foi criada em 1910 pelo então presidente Hermes da Fonseca como ato simbólico, mas o presidente que deixa o cargo não tem obrigação legal de participar do rito.

Assim como Bolsonaro, o ex-presidente João Baptista Figueiredo, último do período da ditadura, se recusou a passar a faixa para seu sucessor, José Sarney. Ele decidiu não participar da cerimônia de posse, preferindo acompanhá-la pela televisão.