Lula tenta conter efeitos eleitorais de reajuste do Auxílio Brasil

A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) traça estratégias para conter os efeitos políticos da PEC Eleitoral, que permitiu ao governo federal aumentar de R$ 400 para R$ 600 o Auxílio Brasil, distribuído aos brasileiros mais pobres até dezembro deste ano. A medida tem potencial de render votos ao presidente Jair Bolsonaro (PL) numa camada da população mais próxima ao ex-presidente, segundo as pesquisas de intenção de voto. Para não perder apoio, os petistas apostam no discurso de que o benefício será cortado já em janeiro de 2023 se o atual chefe do Executivo vencer a eleição — a tática inclui o envio de vídeos pelo WhatsApp, seara que o bolsonarismo dominou com folga há quatro anos.

O PT ainda não desenhou o modelo de retomada do Bolsa Família, programa de distribuição de renda das gestões do partido. As indefinições e o aumento do valor do benefício, rebatizado pelo atual governo, também pressionam a campanha do ex-presidente a acelerar o planejamento e a apresentação de linhas gerais do que pretende fazer na área social caso ele volte ao comando do país. Até agora, Lula se comprometeu a não reduzir a quantia, e seus aliados dizem que vão condicionar o pagamento a contrapartidas, como a vacinação e o desempenho escolar de integrantes das famílias que recebem.

Volta do Bolsa Família

Até o primeiro turno da eleição, serão pagas duas parcelas do auxílio. Reservadamente, o entorno de Lula calcula que a alteração no valor do benefício pode render de três a cinco pontos percentuais a Bolsonaro nas pesquisas e deve gerar mais impacto entre as cerca de 1,5 milhão de famílias que estão na fila, ou seja, não recebem nada e passarão a ser agraciadas com R$ 600 em agosto.

A menos de três meses do pleito, o PT passou a fazer sondagens para avaliar o comportamento do eleitorado e os efeitos do benefício, com o objetivo de aprimorar o discurso. A campanha já identificou supostas falhas na comunicação do governo, como beneficiários que ainda não têm informações sobre os critérios do programa, a forma de pagamento e o funcionamento do cadastro de elegíveis.

Petistas da campanha apostam que o nome Auxílio Brasil será enterrado. A ideia, pelo menos por enquanto, é retomar o Bolsa Família, marca conhecida e associada pela população aos governos do PT.

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