Lula terá encontro na quarta-feira com diplomatas norte-americanos

Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante comício em Curitiba

Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) - A menos de duas semanas do primeiro turno das eleições, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá um encontro na quarta-feira com o encarregado de negócios da embaixada norte-americana no Brasil, Douglas Koneff, que atua como embaixador interino, já que o posto não está ocupado no momento.

O encontro foi confirmado à Reuters nesta terça-feira pela embaixada, que divulgou uma nota em que diz ser praxe o contato da diplomacia dos EUA com os principais candidatos em uma eleição.

"Como prática, diplomatas norte-americanos da embaixada e consulados dos EUA no Brasil se reúnem regularmente, de forma privada, com partidos políticos e candidatos. Vemos como uma valiosa oportunidade para o governo dos EUA ouvir as perspectivas sobre eventos atuais e opiniões políticas sobre questões de interesse mútuo. Nós planejamos continuar com este esforço para encontrar com todos os principais candidatos presidenciais das eleições de outubro", disse a embaixada.

O encontro vinha sendo articulado há várias semanas entre o PT e representantes da embaixada. Interlocutores de Lula em Brasília tiveram vários encontros, não apenas com os norte-americanos, mas também com diplomatas da União Europeia e dos países dos Brics em conversas sobre o cenário eleitoral. "É normal essa busca de contatos em época de eleição", disse uma das fontes da campanha de Lula ouvidas pela Reuters.

O PT busca, também, o apoio de países estrangeiros no reconhecimento imediato do resultado das eleições no caso de vitória de Lula como uma forma de ajudar a desencorajar atos mais agressivos contra o resultado por parte de partidários do presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL), disse à Reuters uma outra fonte petista.

Bolsonaro, que faz acusações sem base sobre possibilidade de fraude nas urnas eletrônicas, já disse repetidas vezes que só aceitará o resultado do pleito se considerar as eleições "limpas". No fim de semana, ele chegou a dizer que se não vencer no primeiro turno "algo de anormal aconteceu" no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Apesar da afirmação de Bolsonaro, as pesquisas de intenção de voto mostram ampla vantagem de Lula sobre o atual presidente. Levantamento do Ipec divulgado na véspera mostrou Lula com 47% contra 31% do candidato à reeleição para o primeiro turno em 2 de outubro.

Além de Lula, devem participar do encontro com os diplomatas norte-americanos o embaixador Celso Amorim, ex-chanceler nos governos do petista, e o senador Jaques Wagner (PT-BA), membro da Comissão de Relações Exteriores do Senado.

De acordo com a embaixada dos EUA, outros candidatos foram procurados e também aceitaram se encontrar com a diplomacia norte-americana.