Lula troca debate por comício após ele mesmo propor pool à imprensa

SÃO PAULO, SP, 24.09.2022 – ELEIÇÕES-LULA - O candidato à presidência, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante comício na praça Jardim Myrna, no Grajaú, zona Sul de São Paulo. O candidato ao governo do estado de SP, Fernando Haddad também participou. (Foto: Danilo Verpa/Folhapress)
SÃO PAULO, SP, 24.09.2022 – ELEIÇÕES-LULA - O candidato à presidência, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante comício na praça Jardim Myrna, no Grajaú, zona Sul de São Paulo. O candidato ao governo do estado de SP, Fernando Haddad também participou. (Foto: Danilo Verpa/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Após condicionar sua participação em debates à formação de um pool de emissoras, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deverá comparecer a somente dois deles no primeiro turno das eleições.

O petista irá faltar ao debate marcado para o final da tarde deste sábado (24), que é organizado em pool por SBT, CNN Brasil, O Estado de S. Paulo, Terra, Veja e as rádios Eldorado e Nova Brasil. Lula marcou dois comícios em São Paulo na data, sendo um deles às 17h, em Itaquera --o debate será às 18h15.

No mês passado, Lula teve seu desempenho criticado no debate organizado pelo pool da TV Bandeirantes, Folha, UOL e TV Cultura, principalmente por não responder diretamente a questionamento do presidente Jair Bolsonaro (PL) sobre corrupção.

Na noite desta sexta (23), Lula disse que não comparecerá ao debate por causa de sua agenda e porque seria necessário se preparar.

"Eu tenho profundo prazer de participar de debate. É bom participar. Lamentavelmente o debate do SBT demorou um pouco. A minha coordenação mandou uma carta para fazer um pool e, quando veio a resposta, eu já tinha agenda no Rio de Janeiro e em São Paulo", afirmou.

O petista disse que não poderia desmarcar os atos que já tinha confirmado presença. "Porque faltando uma semana para as eleições, você desmarcar compromissos avisados para o povo é muito delicado."

Em nota, o SBT afirma que diferentemente do que foi declarado pelo candidato, a formação do pool ocorreu antes a sugestão feita pela campanha do petista.

"Em 22 de março, os quatro grupos enviaram formalmente email às campanhas presidenciais, comunicando a realização do debate e informando as datas escolhidas para os confrontos do primeiro e do segundo turno", diz um trecho do texto.

Ainda segundo a nota divulgada pela emissora, "em 28 do mesmo mês, foi realizada a primeira reunião presencial com representantes dos candidatos convidados. A campanha de Lula esteve presente em tal reunião, assim como em todas as demais reuniões convocadas para discutir os detalhes e regras do debate".

A presidente do PT e coordenadora da campanha de Lula, Gleisi Hoffmann, disse que o petista irá ao debate da TV Globo, o último antes do primeiro turno, na próxima quinta-feira (29).

"Nós temos dito desde o início da campanha que nós participaríamos de um pool de debates e que era para o pessoal se organizar. A coisa não ficou organizada", disse Gleisi à imprensa.

"Então o que que nós tínhamos decidido? Que ele participaria do primeiro e do último debate. Nós temos agenda. Vocês estão vendo como que é corrido", continuou a parlamentar.

No dia 15 de junho, a campanha do ex-presidente propôs a entidades que representam jornais e emissoras de rádio e televisão a realização de até três debates nacionais no primeiro turno das eleições deste ano.

No documento, a equipe do petista afirmou que havia ao menos dez eventos entre candidatos propostos naquele momento e que, dentro do prazo da campanha, tal programação era "incompatível com a agenda política e a realização de atos públicos da campanha".

Lula participou do primeiro debate organizado em pool por Folha, UOL e TVs Bandeirantes e Cultura no dia 28 de agosto, depois de incertezas sobre a participação do petista e de Bolsonaro, seu principal adversário na corrida eleitoral.

O desempenho do ex-presidente foi criticado por ele não ter respondido no mesmo tom aos ataques de Bolsonaro sobre corrupção em governos petistas. Embora liste mecanismos de combate à corrupção implementados em seu governo, Lula ainda não detalhou quais novas medidas adotará nesse sentido, caso seja eleito.

O petista também tem criticado as chamadas emendas de relator, mas ainda não explicou como pretende convencer o Congresso a abrir mão desse mecanismo.

Segundo aliados, Lula deve se preservar para o debate da Globo, cuja audiência pode ser determinante para definição de um resultado já no primeiro turno.

Segundo o Datafolha divulgado na última quinta (22), Lula tem 47% dos votos totais, oscilando positivamente dois pontos ante os 45% da semana passada. Bolsonaro se manteve em 33%, Ciro Gomes (PDT) oscilou de 8% para 7%, e Simone Tebet (MDB) segue com 5%, empatada com o pedetista. Soraya Thronicke (União Brasil) oscilou de 2% para 1%.

Em 2006, quando Lula buscava a reeleição, sua ausência nos debates foi apontada como uma das razões pelas quais o petista não venceu a eleição já no primeiro turno.

Naquele ano, Lula disputa o segundo turno contra o atual vice e então tucano, Geraldo Alckmin (PSB).