Lula não terá União Brasil na aliança, mas pode celebrar saída de Luciano Bivar

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Brazil's former president and presidential frontrunner Luiz Inacio Lula da Silva looks on during a meeting of the Brazilian Socialist Party (PSB), that officially nominated him as candidate of the party, in Brasilia, Brazil, July 29, 2022. REUTERS/Ueslei Marcelino     TPX IMAGES OF THE DAY
O ex-presidente Lula queria apoio do União Brasil. Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

Faltam dois meses para outubro e, se es eleições fossem hoje, o ex-presidente Lula (PT) teria chance real de vitória já no primeiro turno, segundo a última pesquisa Datafolha.

A contagem dos votos válidos dá ao petista 52% das preferências. Qualquer ponto percentual a mais, ou a menos, pode ser determinante para quem pretende liquidar fatura logo e jogar areia na estratégia de Jair Bolsonaro (PL) de contestar o resultado.

O ex-capitão já declarou que não aceita qualquer contagem que não dê a ele a vitória. Por isso já declarou antes de as urnas se abrirem que o sistema de voto eletrônico está sujeito a fraudes.

Bolsonaro corre contra o tempo e sabe disso.

Uma eventual vitória de seu adversário nesta fase da campanha pode solapar na base a sua estratégia para melar o jogo. Isso porque, em caso de derrota em 2 de outubro, ele teria de colocar sob suspeita não só a eleição de seu concorrente, mas de uma multidão de deputados federais, estaduais, senadores e governadores a serem escolhidos naquela data. Será, portanto, mais difícil convencer alguém (inclusive os eleitos) de que toda essa gente foi escolhida legitimamente pelo sistema eletrônico, menos ele.

Seria, digamos, estranho ver um deputado aliado recém-eleito levantar uma bandeira do tipo. Arthur Lira (PP-AL), por exemplo, toparia?

No segundo turno, a conversa muda de figura e pode ganhar força. Bolsonaro teria menos gente, no caso alguns poucos candidatos aos governos estaduais, para atrapalhar a vida.

Por essa razão, faz muito sentido que o ex-presidente Lula tenha deixado para lá os tempos de pancadaria contra o antigo DEM (ou PFL) para atrair o apoio do União Brasil, junção do velho PFL com o PSL –ambos inimigos declarados, até outro dia, do petismo.

Foi pelo PSL que Jair Bolsonaro foi eleito em 2018. Tinha ao seu lado um fiel escudeiro chamado Luciano Bivar, cacique da legenda que topou o aluguel e herdou o comando do super partido criado quatro anos depois.

Bolsonaro e Bivar estão rompidos desde que o presidente declarou a um apoiador que o ex-aliado estava “queimado pra caramba”. Eles deixaram de se bicar em razão de discordâncias sobre nomeação de aliados em postos-chave de comissões e diretórios –leia-se gestão dos gordos recursos dos fundos partidário e eleitoral.

Lula, que para 2022 viu no ex-tucano Geraldo Alckmin um candidato a vice ideal, não parece se constranger em ter no palanque os adversários dos antigos DEM e do PSL. A estratégia faz parte da frente ampla arquitetada para emular a aliança em torno de Tancredo Neves contra Paulo Maluf, o candidato da ditadura, em 1985.

Para isso, Luciano Bivar teria de desistir de sua pré-candidatura à Presidência. Foi o que ele fez.

Mesmo com a retirada, vai ser difícil, quase impossível mesmo, Lula conseguir apoio formal do União Brasil. O grosso da ala bolsonarista que lá residia já se espalhou por partidos do centrão, notadamente o PL, mas também pelo PP e o Republicanos. Mas ainda há um resquício considerável de apoiadores do atual presidente.

Há também um inquilino estrelado: o ex-juiz Sergio Moro, que aos 45 do segundo tempo trocou o Podemos pelo União Brasil, em busca de mais musculatura para a campanha a presidente, e ouviu um sonoro não dos donos da legenda. Hoje ele se contenta em disputar o Senado pelo Paraná.

O apoio formal de sua legenda para o candidato que ele condenou e tirou do jogo em 2018 seria o maior plot twist da política brasileira desde que Carlos Lacerda se juntou em 1966 a João Goulart e Juscelino Kubitschek em uma frente de oposição à ditadura que ajudou a pavimentar.

O plot twist não sairá do ensaio, mas a possibilidade de aliança já diz muito sobre o realismo fantástico que se tornou a política brasileira nos tempos atuais –a mesma que permite a um ministro do Supremo botar a faca no pescoço do presidente da República para impedir a nomeação de um desafeto no STJ.

Lula não terá o gosto de ver o partido de Moro atrelado à sua candidatura (há quem aposte que seria a última gota para sua desistência ao Senado), mas pode comemorar a retirada de outro concorrente da pista. Bivar no fim vai disputar um novo mandato como deputado por Pernambuco, estado onde o presidenciável petista tem ampla vantagem sobre Bolsonaro.

Bivar dificilmente conseguiria mais de dois por cento dos votos, mesmo com dinheiro e tempo de exposição. A essa altura, qualquer traço de audiência convertido em votos é um latifúndio para quem quer encerrar a peleja antes do segundo turno.

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