Lula vai de 48% a 50% nos votos válidos e pode vencer no 1º turno, diz Datafolha

*ARQUIVO* São Paulo, SP, BRASIL, 21-09-2022: O ex-presidente Lula vai se reunir nesta quarta (21) com representantes de movimentos de pessoas com deficiência, no Hotel Intercontinental, na zona central da cidade. (Foto: Bruno Santos/ Folhapress)
*ARQUIVO* São Paulo, SP, BRASIL, 21-09-2022: O ex-presidente Lula vai se reunir nesta quarta (21) com representantes de movimentos de pessoas com deficiência, no Hotel Intercontinental, na zona central da cidade. (Foto: Bruno Santos/ Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registra 50% dos votos válidos na pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (22), no momento em que a campanha intensifica o apelo por voto útil na tentativa de derrotar o presidente Jair Bolsonaro (PL) no primeiro turno. Com o índice, o petista pode vencer no próximo dia 2, sem a necessidade de uma segunda etapa da eleição.

Considerando a margem de erro de dois pontos, o petista teria hoje entre 48% e 52%. Para vencer já na primeira etapa da eleição, como deseja o ex-presidente, um candidato precisa obter mais da metade do total de votos válidos, que desconta nulos e brancos e é o critério oficial para definir o pleito.

O novo quadro, capturado pelo instituto a dez dias da votação, é parecido com o do levantamento anterior, finalizado na quinta-feira passada (15). Lula alcançava 48% dos válidos e Bolsonaro tinha 35%, patamar mantido agora.

Realizado de terça (20) a quinta-feira (22), o levantamento tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O instituto ouviu 6.754 eleitores em 343 municípios. A pesquisa, contratada pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo, está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-04180/2022. O índice de confiança é de 95%.

No cenário geral de primeiro turno, Lula possui 47% das intenções de voto e Bolsonaro, 33%. Ciro Gomes (PDT), estagnado na terceira posição, registra 7%, empatado tecnicamente com Simone Tebet (MDB), que marca 5%. Uma parcela de 4% responde que votará nulo ou em branco, e 2% dos entrevistados não sabem responder como vão se posicionar --mesmos percentuais da semana passada.

A perspectiva de vitória no primeiro turno, que passou a ser evocada com mais intensidade por líderes da campanha de Lula e da militância petista nos últimos dias, tem sido vista como um impulso na reta final da disputa.

Os esforços no momento são em busca do voto útil, com a tentativa de convencer eleitores de Ciro e de Tebet a trocarem seus candidatos pelo atual favorito. Opositores de Lula reagiram à investida e criticaram as movimentações que, para eles, inibem o voto em candidaturas alternativas.

"O Lula sempre foi fascistoide", disse Ciro na quarta-feira (21) em ataque à estratégia petista, falando em "fascismo de esquerda" para tirar de outros políticos, como ele, o "direito de ser candidato, para o povo ter uma opção". No cálculo dos aliados de Lula, os votos que hoje são do candidato do PDT ajudariam o ex-presidente a sair vitorioso sem a necessidade de segundo turno.

Artistas que apoiaram o pedetista em outros pleitos vêm sendo buscados por assessores de Lula para declararem voto no ex-presidente, com o argumento de que elegê-lo é preservar a democracia. O cantor Caetano Veloso foi um dos que aderiram à campanha com o mote do "vira voto".

Bolsonaro e seus apoiadores também exploram o discurso de que o mandatário será reeleito no primeiro turno, na contramão do que indicam as pesquisas do Datafolha e de outros institutos com tradição em sondagens eleitorais. Com a tática, o bolsonarismo busca manter sua mobilização.

O presidente repetiu a afirmação otimista nos últimos dias, em suas viagens ao Reino Unido para o funeral da rainha Elizabeth 2ª e a Nova York, nos EUA, para a Assembleia-Geral da ONU. "Não tem como a gente não ganhar no primeiro turno", disse em Londres.

A possibilidade de Lula sair vitorioso na primeira rodada da eleição também levou o comando petista a detonar uma série de medidas para combater a abstenção eleitoral, que pode ser mais prejudicial ao ex-presidente do que a seu rival.

A avaliação é a de que faixas do eleitorado em que o petista tem desempenho superior podem ter uma taxa de comparecimento às urnas menor, seja pelo medo de violência no dia da votação ou por dificuldade de chegar às seções eleitorais. As situações poderiam causar ausências em segmentos como os eleitores mais pobres e os mais velhos --o voto é opcional após os 70 anos.

Em outra frente de ação na batalha para liquidar a eleição no primeiro turno, o PT buscou nos últimos dias evidenciar a autoproclamada amplitude da candidatura do ex-presidente. Lula reuniu oito ex-presidenciáveis que apoiam sua eleição neste ano, com nomes da esquerda à direita, inclusive antigos desafetos.

Além disso, a imagem de "frente ampla" ganhou impulso com novas declarações de apoio de personalidades ligadas ao PSDB, como o ex-ministro José Carlos Dias, e o advogado e professor Miguel Reale Jr., autor do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT).

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) divulgou nesta quinta nota pedindo voto em favor de candidatos que defendam as instituições, a ciência e a diversidade, o que foi interpretado por petistas como apoio velado a Lula. FHC não citou nomes no comunicado.

As manifestações de apoio a Lula que reverberaram nos últimos dias tiveram em comum a mensagem de defesa do voto no petista no primeiro turno como forma de evitar um prolongamento do ambiente de tensão e violência política, além de sinalizar rechaço ao governo Bolsonaro e suas ameaças às eleições.