Lula vai a Brasília para negociar PEC e pode comentar algo sobre Ministério, diz Gleisi

Presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva

Por Maria Carolina Marcello

(Reuters) - O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), dedicará a próxima semana a conversas, em Brasília, sobre a PEC da transição e pode, ainda que não seja a intenção inicial da viagem, divulgar alguma informação sobre suas escolhas para os ministérios, afirmou a presidente do PT, Gleisi Hoffmann nesta sexta-feira.

Questionada sobre nomes para a composição do próximo governo, anúncio cercado de expectativa, principalmente em relação à pasta da Fazenda, Gleisi declarou que "não foi definido nenhum nome". De acordo com a presidente do PT, Lula tem "na cabeça" "mais ou menos" uma ideia, mas não tem pressa em anunciá-la.

"Pode ser que ele fale alguma coisa na semana que vem, ou não. Não é essa a finalidade da ida dele a Brasília. A finalidade, mesmo, é conversar com os partidos, com os presidentes das Casas (do Congresso), e a gente ajustar as condições para a PEC."

Segundo a deputada, Lula deve se reunir com lideranças partidárias, economistas, além dos presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), na busca de uma solução política para a medida que abrirá espaço fora do teto de gastos para o pagamento do Bolsa Família de 600 reais. As conversas devem se concentrar, principalmente, sobre o prazo de vigência da excepcionalização ao teto de gastos.

"Ele vai estar lá a partir de segunda-feira. Quer fazer várias reuniões com os partidos, com as bancadas, quer conversar novamente com o presidente da Câmara, o presidente do Senado, enfim, conversamos um pouco sobre a dinâmica dessa reunião. Ele deve passar em Brasília de segunda a sexta para fazer essas conversas para a gente também encaminhar a PEC", disse Gleisi a jornalistas após conversar com Lula na casa dele, em São Paulo.

O encontro desta sexta-feira, disse Gleisi, serviu para os dois debaterem a organização das conversas na próxima semana.

A minuta da PEC entregue ao Legislativo não previa um prazo para a exceção. Iniciadas as conversas, a equipe de transição passou a defender que esse período fosse de pelo menos quatro anos, o que enfrenta resistências. Parte dos parlamentares advoga por apenas um ano de exceção, enquanto negocia-se, nos bastidores, que esse prazo seja firmado em dois anos.

Segundo Gleisi, o presidente eleito tem enfatizado que insistirá na negociação política para garantir a aprovação da proposta. Na rápida entrevista coletiva, a presidente do PT não falou de prazo ou valor da PEC.