Lula viaja atrasado ao RS e encontra esquerda rachada e sob ameaça de voto 'Luleite'

***ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, 30.04.2022 - O pré-candidato à Presidência da República pelo PT, Lula, participa de encontro com mulheres na Brasilândia, na zona norte de São Paulo. (Foto: Marlene Bergamo/Folhapress)
***ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, 30.04.2022 - O pré-candidato à Presidência da República pelo PT, Lula, participa de encontro com mulheres na Brasilândia, na zona norte de São Paulo. (Foto: Marlene Bergamo/Folhapress)

PORTO ALEGRE, RS (FOLHAPRESS) - O palanque quase exclusivamente de petistas que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva encontrará nesta quarta-feira (1º) ao desembarcar no Rio Grande do Sul tende a ser o mesmo que encontrará ao menos até o final do primeiro turno das eleições presidenciais.

Lula participará de reuniões ao longo da manhã de quarta-feira e, às 16h, de um "ato em defesa da soberania" organizado pelo PT gaúcho em uma casa de eventos.

Diferentemente de estados como Minas Gerais, Rio e Pernambuco, em que Lula participa ativamente das articulações em torno das candidaturas estaduais, no Rio Grande do Sul o sentimento de integrantes de partidos de esquerda é que o petista chega tarde para viabilizar novas alianças.

PT, PSB e PSOL, por exemplo, já lançaram pré-candidaturas.

Isolados, os partidos de esquerda correm o risco de serem derrotados pelo chamado voto "Luleite", de eleitores de esquerda que vejam o ex-governador Eduardo Leite (PSDB) como o único com chances de vitória contra um candidato bolsonarista —o nome que desponta em pesquisas, hoje, é o do ex-ministro Onyx Lorenzoni (PL).

Leite, que renunciou ao governo em 31 de março em uma tentativa fracassada de se cacifar à Presidência da República, ainda não decidiu se voltará a disputar o governo estadual.

A cisão mais traumática na esquerda ocorreu entre PT e PSB, que lançaram respectivamente como pré-candidatos o deputado estadual Edegar Pretto (PT) e o ex-deputado federal Beto Albuquerque (PSB) ainda em setembro de 2021.

Diante da consolidação de Pretto como candidato sem enfrentar nenhum empecilho do PT nacional, Beto se diz disposto a oferecer apoio a Ciro Gomes no primeiro turno para contar com o PDT em sua chapa.

"O Lula subiria no palanque de um candidato que não o apoia? Pois então, eu também não devo apoiar quem não me apoia. E o candidato do Lula no Rio Grande do Sul é o Edegar Pretto", declara Beto.

Cortejado pelo PSB, o PDT gaúcho chegou a ventilar como candidato o atual presidente do Grêmio, Romildo Bolzan, mas ele declinou.

Agora, também negocia com o MDB, que lançou como pré-candidato o deputado estadual Gabriel Souza. Nesse caso, o empecilho é justamente o palanque federal, de Simone Tebet (MDB). O partido também lançou pré-candidatura, do ex-deputado federal Vieira da Cunha.

Pretto, que lançou até jingle de campanha em evento com participação de Dilma Rousseff e Tarso Genro no sábado (28), demonstra que a visita de Lula não deve afetar sua convicção em concorrer e tampouco articular novas alianças em torno do seu nome.

"O presidente Lula não vem para isso, vem para matar a saudade do Rio Grande do Sul", diz Pretto.

O petista declara que todos os partidos que apoiam Lula nacionalmente foram convidados a participar do evento desta quarta-feira (1ª), inclusive PSB e PSOL.

Pedro Ruas, que é pré-candidato do PSOL, confirma presença em nome "da luta contra o fascismo, para uma vitória de Lula no primeiro turno", já Beto declarou que não deve comparecer ao evento "que é do PT para o PT".

O racha entre os partidos de esquerda teve como efeito colateral o enfraquecimento na disputa ao Senado. Na sexta-feira (27), Manuela D’Ávila, nome que era cogitado como unanimidade para concorrer pelo PC do B, anunciou que não disputará cargos eletivos em 2022.

"Trabalhei muito por um palanque unitário [a Lula no RS] que nos envolvesse todos, sobretudo os três candidatos ao governo do estado, fortalecendo nossa chapa. Sempre estive à disposição para construirmos esse palanque unitário que, infelizmente, não se materializou", escreveu a ex-deputada em rede social.

PRÉ-CANDIDATOS AO GOVERNO DO RS

Beto Albuquerque (PSB)

Edegar Pretto (PT)

Gabriel Souza (MDB)

Luiz Carlos Busato (União Brasil)

Luis Carlos Heinze (PP)

Marco Della Nina (Patriota)

Onyx Lorenzoni (PL)

Pedro Ruas (PSOL)

Ricardo Jobim (Novo)

Roberto Argenta (PSC)

Vieira da Cunha (PDT)

PSDB: deve lançar como candidato Eduardo Leite ou o atual governador, Ranolfo Vieira Júnior

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