Lula volta a dizer que pode ser candidato em 2022

João de Mari
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Former Brazilian President Luiz Inacio Lula da Silva speaks at the Metalworkers Union headquarters in Sao Bernardo do Campo, Sao Paulo state, Brazil, Wednesday, March 10, 2021, after a judge threw out both of his corruption convictions. (AP Photo/Andre Penner)
Além disso, Lula disse que, por ter sido presidente em duas oportunidades, pode apoiar "alguém em boa posição". "O mais importante é não deixar Jair Bolsonaro governar mais este país", garantiu (Foto: Photo/Andre Penner)
  • Ex-presidente Lula afirmou que "não vê" problemas em ser candidato em 2022

  • Lula falou sobre a decisão do ministro do STF Edson Fachin que o tornou elegível novamente

  • É a segunda entrevista à imprensa internacional que Lula concede esta semana; petista adotou uma postura protagonista na política nacional

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Sílva (PT) afirmou, nesta sexta-feira (19), que não "vê problemas" em concorrer novamente à Presidência da República nas eleições de 2022. Em entrevista ao jornal frânces Le Monde, Lula disse que o principal objetivo do pleito é impedir uma reeleição de Jair Bolsonaro (sem partido). 

No entanto, o petista disse "não saber" se será realmente candidato em 2022. Para ele, tudo dependerá de um consenso de lideranças à esquerda sobre a indicaçã do seu nome, além do seu "estado físico" e de de saúde.

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"Eu tenho 75 anos. Em 2022, na época das eleições, terei 77. Se eu ainda estiver em plena forma, e for estabelecido um consenso entre os partidos progressistas deste país para que eu seja candidato, bem, não verei nenhum problema em ser!, afirmou ao jornal.

Além disso, Lula disse que, por ter sido presidente em duas oportunidades, pode apoiar "alguém em boa posição". "O mais importante é não deixar Jair Bolsonaro governar mais este país", garantiu. 

As especulações de uma possível candidatura de Lula em 2022 passaram a tomar corpo novamente após decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, que anulou as condenações do petista nos casos relacionados à Operação Lava Jato.

"Minha cabeça não teve tempo para pensar em 2022"

Former Brazilian President Luiz Inacio Lula da Silva speaks at the Metalworkers Union headquarters in Sao Bernardo do Campo, Sao Paulo state, Brazil, Wednesday, March 10, 2021, after a judge threw out both of his corruption convictions. (AP Photo/Andre Penner)
No entanto, o petista disse "não saber" se será realmente candidato em 2022. Para ele, tudo dependerá de um consenso de lideranças à esquerda sobre a indicaçã do seu nome, além do seu "estado físico" e de de saúde (Foto: Photo/Andre Penner)

No dia 10 de março, durante o primeiro pronunciamento oficial de Lula após a decisão de Fachin, o ex-presidente garantiu que ainda não teve tempo para pensar em uma possível candidatura à eleição presidencial de 2022

“Minha cabeça não teve tempo para pensar em 2022", declarou na ocasião. "Tem momento para tudo. Não podemos ficar respondendo à insistência da imprensa de saber se seremos candidato ou não. O que precisamos é colocar nossa gente para andar e conversar com o povo. E depois, vamos discutir o resultado."

Nesta sexta-feira (19), ao Le Monde, Lula voltou a falar sobre a decisão de Fachin. Ele afirmou que a decisão chegou "com cinco anos de atraso", mas vibrou pois, segundo ele, a verdade foi exposta e se referiu ao ex-juiz Sérgio Moro e aos procuradores da força-tarefa como "gângsters".

"Por anos 210 milhões de brasileiros foram enganados, forçados a acreditar nas mentiras dos promotores da Lava Jato e do juiz Sergio Moro, que se comportaram como verdadeiros gângsters. A verdade agora está na mesa do público. Isso é tudo que eu queria."

Lula e a imprensa internacional

Na quarta-feira (17), o ex-presidente já havia declarado à CNN americana que poderia concorrer em 2022. "Quando chegar o momento de concorrer às eleições, se o meu partido e os partidos aliados entenderem que eu posso ser o candidato, se eu estiver bem, com a saúde e energia que eu tenho hoje, eu posso reassegurar que eu não vou negar essa convocação, mas eu não quero falar sobre isso", disse.

Na entrevista, Lula adotou uma postura de protagonista na política nacional e chegou a pedir medidas do presidente americano, Joe Biden, para ajudar na vacinação de países mais pobres do continente.

"Uma sugestão que eu gostaria de fazer ao presidente Biden através do seu programa é: É muito importante convocar uma reunião do G20 urgentemente", disse.

"Eu sei que os Estados Unidos possuem vacinas em excesso e que não serão usadas todas essas vacinas. E talvez essa vacina, quem sabe, possa ser doada ao Brasil ou a outros países, até mais pobres do que o Brasil, que não podem pagar por essa vacina", complementou.

Após Lula pedir vacinas, Planalto divulga carta de Biden a Bolsonaro

Um dia depois do ex-presidente Lula pedir publicamente aos Estados Unidos o repasse de vacinas contra a Covid-19, a Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência revelou nesta quinta-feira uma carta enviada pelo presidente norte-americano Joe Biden a Jair Bolsonaro (sem partido). 

Segundo a Secom, a carta é do dia 26 de fevereiro, pouco mais de um mês depois de Biden tomar posse em Washington. Nela, o presidente norte-americano agradece a mensagem de apoio enviada por Bolsonaro após sua eleição e se diz pronto para uma “estreita colaboração” com o Brasil “neste novo capítulo da relação bilateral”.

A Secom divulgou apenas trechos da mensagem e garantiu que o texto selou a união entre os dois países. "O presidente Biden saudou a oportunidade para que ambos os países unam esforços, tanto em nível bilateral quanto em fóruns multilaterais, no enfrentamento aos desafios da pandemia."