Lulu dá detalhes do dia a dia com o marido: 'É ele que faz os pagamentos e diz: 'Sabe quanto vai custar este clipe???''

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RIO — “Ô, Glenda!”, dizia Lulu Santos para sua cadelinha, que parecia excitada por “dar entrevista” para o jornal em sua primeira visita à cidade grande: A staffordshire terrier de “5 ou 6 anos” nasceu em Paraíba do Sul, na Serra, onde o artista tem uma casa, e só conheceu o apartamento do “pai”, no Jardim Botânico, agora, em meio ao frenesi de divulgação do novo single dele, “Hit”, que acaba de ser lançado nas plataformas digitais. O feliz proprietário de uma fábrica de sucessos compôs mais um forte candidato. Este, em homenagem àquele que considera seu maior hit: o marido, Clebson Teixeira, com quem está casado desde abril de 2019.

— Para ser bem sincero, no início, não identifiquei que a música era para mim, porque é muito nas entrelinhas. Imaginava, mas não tinha certeza. Não queria parecer convencido (risos) — conta o baiano de 29 anos, a quem Lulu já havia dedicado o disco “Pra sempre”, de 2019. Mas, para o artista, a música, composta “numa sentada”, após uma soneca restauradora, é zero enigmática... Aliás, trata-se de “um pitch (discurso) biográfico em três minutos e meio”:— Cada uma das frases é o encadeamento da minha história. Sabe quando você está em meio a um cenário de felicidade e realização e, por dentro, você está se sentindo prisioneiro daquilo? Tem muitos resgates na minha vida que foram promovidos pela presença dele.Analista de sistemas, Clebson largou o emprego em Belo Horizonte, onde morava, uma semana antes de o coronavírus aportar por aqui — e viajou para Miami com Lulu numa espécie de lua de mel. A viagem teve que ser abortada no meio, devido à Covid-19, mas os planos de dividir o mesmo teto com Lulu, no Rio, não seriam afetados.— Moro neste apartamento há 21 anos, já passei por outros dois relacionamentos. Tinha 21 anos de entulho. Quando começamos a morar juntos, a primeira coisa que ele fez foi pegar sacos pretos e sumir com a carga de inutilidades — diz o artista, que completou 68 anos em maio.E, aos poucos, conta Lulu, o marido foi imprimindo sua personalidade à casa:— Transformou um cômodo que era um depósito no escritório dele, que é de uma limpeza! Se incomodou com a lentidão do sistema de televisão, encheu o saco da operadora de telefonia, conseguiu descontos inacreditáveis. É um operador.

Música:Por mensagem, artista convidou Zeca Baleiro e Magal para seu primeiro álbum. E eles aceitaramOs predicados de Clebson, aliás, o credenciaram a ser o administrador da empresa do casal, o selo Pancho Sonido, pelo qual eles lançaram “Hit”.— É ele que faz os pagamentos e fica: “Sabe quanto vai custar este clipe?????” — brinca Lulu.O clipe de “Hit”, lançado no último domingo no “Fantástico”, traz Letícia Novaes, a Letrux, como uma cartomante e Clebson como pugilista. Até o fim do ano, Lulu lança um EP com outras quatro músicas, todas produzidas por Liminha, antigo parceiro. Uma delas, “Inocentes”, foi gravada com o grupo Melim, e outra, “Cá pra nós”, também foi feita para o marido.— Essa é (uma declaração) mais explícita — entrega o baiano.“Paixão mútua”, “Necessidade de estar juntos”, “Uma chance em um milhão” (eles se conheceram pelo Instagram), Lulu não economiza nas definições do seu relacionamento e constata: está vivendo uma adolescência tardia.'AOS 15, 16 ANOS, EU NÃO PODERIA EXISTIR COMO SOU'

— De nenhuma forma aos 15, 16 anos eu poderia de fato existir como sou. Filho de um militar, vivendo num regime de ditadura, estudando num colégio de padres, num ambiente masculino, não tinha a perspectiva de que o que eu observava internamente tinha representatividade — observa Lulu. — Tive um casamento com uma mulher (Scarlet Moon) durante 12 anos. Não estava tentando manter uma aparência. Na busca do afeto, achei interessante alguém interessado em mim e decidi retribuir. Estava cansado de desejar algo que não me era cedido.

Eles vivem um casamento de pandemia, em isolamento social quase absoluto — só saíram de casa para ir a estúdios de gravação. O delivery, conta Lulu, já era uma realidade em sua vida:

— Sempre estive muito pronto para o que está acontecendo agora. Não sou a pessoa mais rueira, não sou de sair, gosto muito da minha casa, do que eu posso fazer aqui dentro.

Quando estão no Rio, na impossibilidade de correr na Lagoa, paixão de Clebson, ou de caminhar até o Parque Lage, dos hábitos preferidos de Lulu, eles veem filmes, por exemplo. O artista está ensinando o marido a gostar de cinema. E também chegou a dar umas aulas de violão para ele.

— Mas Lulu não é um bom professor, ele vai me matar (risos). Ele tem um conhecimento empírico, aprendeu sozinho, desde criança, foi um processo longo. Tudo para ele parece simples. Então, ele tem todo o carinho, mas não tem didática para ensinar — entrega Clebson, que sonhava aprender a tocar músicas de Milton Nascimento e Novos Baianos, mas, por enquanto, tem no repertório algumas com acordes menos rebuscados, como “Jackie Tequila”, do Skank.

Por outro lado, Clebson desfila suas habilidades na pescaria...

— Estes dias, pela primeira vez na vida, comi uma tilápia fresca que ele pescou na represa da nossa casa na Serra. Eu cozinho um pouco, mais do que ele, que não liga para comida. É uma pessoa de hábitos muito simples, é filho de lavradores, foi o primero da família dele a ter um diploma — diz o artista, orgulhoso.

Lulu já tomou as duas doses da vacina, perto de casa, no Jockey. Conta que sentiu alívio ao ser imunizado, mas que a sensação de liberdade só virá “quando esta administração conseguir vacinar pelo menos metade da população do país”:

— Porque aí você começa a ter uma taxa muito baixa de contágio. Me preocupo extremamento com o Clebson, quando vai chegar a hora dele. Essas vacinas têm, no máximo, 95% de eficácia. Não significa que você não vai contrair o vírus. Enquanto não chegarmos ao estágio que o primeiro mundo já conseguiu atingir, vamos continuar patinando na incerteza.

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