Justiça investiga se há crime em presentes de loja recebidos por Fillon

Paris, 16 mar (EFE).- Os juízes que investigam as denúncias de desvio de recursos públicos cometido pelo candidato conservador à presidência da França, François Fillon, ampliaram o caso para tentar descobrir se há irregularidades nas roupas que o ex-primeiro-ministro ganhou como presente durante anos.

Fillon foi acusado formalmente na última terça-feira por desvio de recursos públicos por ter empregado sua esposa e filhos na Assembleia Nacional sem que os três fossem trabalhar.

Segundo o semanário "Marianne", os juízes decidiram ampliar a investigação contra o conservador para determinar se os presentes recebidos por ele constituem um crime de conflito de interesses.

Os investigadores realizaram duas operações de busca na loja parisiense Arnys, onde, segundo o "Le Journal du Dimanche", um misterioso doador comprou 13 mil euros em roupas para dar de presente ao ex-primeiro-ministro país.

Segundo o "Marianne", os investigadores levaram os computadores da loja para analisar as contas da empresa. O objetivo é encontrar quem era o doador para determinar se há conflito de interesses.

De acordo com o "Le Journal du Dimanche", Fillon gastou 48,5 mil euros na loja entre 2012 e 2017, mas apenas 35,5 mil euros saíram dos bolsos do candidato. Não se sabe quem pagou o restante.

O jornal afirma que um "amigo generoso" confessou que tinha pago as faturas sem "ter recebido nenhum agradecimento por isso".

Abandonado por boa parte dos membros de seu partido na campanha, Fillon é atualmente o terceiro colocado nas pesquisas, com menos de 20% das intenções de voto, longe da ultradireitista Marine le Pen e do liberal Emmanuel Macron, que devem disputar o segundo turno. EFE