Lutar na Guerra da Ucrânia é contra o islã, dizem líderes muçulmanos no Uzbequistão

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A mais alta autoridade religiosa do Uzbequistão instou a população nesta sexta-feira (23) a não participar da Guerra da Ucrânia, afirmando que isso seria contrário aos princípios do islamismo.

A diretriz foi dada depois que a Rússia ofereceu conceder cidadania facilitada aos homens do Uzbequistão que se alistarem no Exército de Moscou.

Sem fazer menção direta à Rússia, o Conselho Muçulmano uzbeque alegou que membros de "organizações terroristas" estariam recrutando muçulmanos para lutar na Ucrânia sob o pretexto de uma jihad, ou guerra santa.

As autoridades esclareceram, então, que os muçulmanos estão proibidos de participar de qualquer ação militar que não seja em defesa de sua pátria. Além da determinação religiosa, foi anunciado nesta semana que os cidadãos podem ser criminalmente processados caso participem de combates em outros países.

Para viabilizar a mobilização parcial anunciada por Vladimir Putin na quarta-feira (21), o Parlamento russo aprovou uma lei que oferece cidadania facilitada a estrangeiros que entrarem para as Forças Armadas, o que deve aumentar a participação de soldados de fora da Rússia na Guerra da Ucrânia.

Centenas de milhares viajam regularmente do Uzbequistão à Rússia para trabalhar e levar dinheiro à família —alguns com empregos clandestinos sob risco de deportação. Com 35 milhões de habitantes, o país é o terceiro mais populoso dentre as ex-repúblicas soviéticas, e muitos de seus cidadãos são fluentes em russo.