Luto e raiva após o massacre de 69 pessoas em Banibangou, Níger

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Líderes religiosos de Banibangou durante a visita do presidente nigeriano, em 6 de novembro de 2021 (AFP/BOUREIMA HAMA)

Luto e raiva reinavam em Banibangou, cidade visitada pelo presidente do Níger no sábado (6) e onde viviam muitos dos 69 civis massacrados há uma semana sob suspeita de pertencerem a um grupo jihadista.

Horas antes da visita presidencial, uma garota assistia do muro de sua casa aos veículos blindados que anunciavam a chegada do chefe de Estado Mohamed Bazum.

Nos becos, protegidos por soldados armados, mulheres cobertas por grandes véus multicoloridos falavam sobre a dor.

Em 2 de novembro, 84 membros de uma comissão de vigilância (milícia de autodefesa) de vários vilarejos da comuna, liderados pelo prefeito Umaru Bobo, foram atacados alguns quilômetros a noroeste de Banibangou.

A comissão decidiu perseguir homens armados que atacaram vilarejos e roubaram gado em Adab Dab, disseram moradores locais à AFP.

Vestido com uma grande túnica branca e com um gorro vermelho, o xeque Saido Garbeye - um dos 15 sobreviventes do massacre - relata que "o prefeito de Banibangou, que era meu tio, decidiu procurar Tchinbado, um confidente (dos jihadistas)".

“Fizemos uma prece e pegamos a estrada para Adab Dab. Infelizmente, os bandidos nos viram de uma colina, avançaram contra nós disparando suas armas, matando um grande número de homens”, continua ele.

Os membros da comissão "mal se armavam de sua coragem, flechas e estilingues, enquanto os jihadistas têm armas que nem nossos soldados possuem", enfatiza.

Esta foi a primeira ofensiva audaciosa do comitê contra os jihadistas desde sua criação, há alguns meses. "Mas civis mal equipados e mal treinados não podem derrotar os jihadistas que nem mesmo desafiam nosso exército", disse um jornalista local.

“Nossos filhos foram defender suas aldeias e agora estão mortos, é triste, são mártires”, diz Mariama, em frente à prefeitura local.

Os moradores de Banibangou, uma comuna da instável região de Tillaberi, na tríplice fronteira (com Burkina Faso e Mali), imploram por "apoio do exército nigeriano" diante de ataques de dois grupos jihadistas, um ligado à Al Qaeda e outro ao Estado Islâmico, sofridos desde o início do ano.

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