Luxemburgo quer sediar a autoridade bancária da UE que fica em Londres

(Arquivo) O premier de Luxemburgo, Xavier Bettel

Luxemburgo reivindicou em uma carta aos presidentes da Comissão e Conselho Europeus seu direito legal de acolher a Autoridade Bancária Europeia (EBA), atualmente com sede em Londres, depois do Brexit, indicou nesta quinta-feira à AFP um porta-voz do governo luxemburguês.

"Queremos que a decisão de 1965 seja respeitada e, portanto, reivindicamos que Luxemburgo seja a nova sede da EBA", indicou a porta-voz, em referência a um acordo comunitário que considera Luxemburgo como sede de alguns organismos europeus, especialmente financeiros.

Em sua mensagem ao presidente do executivo comunitário Jean-Claude Juncker e seu homólogo do Conselho Donald Tusk, o primeiro-ministro luxemburguês, Xavier Bettel, destaca que seu país já acolhe "o Banco Europeu de Investimentos, ao Fundo Europeu de Investimentos e ao Mecanismo Europeu de Estabilidade".

Em relação ao acordo de 1965, as duas únicas exceções realizadas com o aval de Luxemburgo foram instalar a sede da EBA -fundada em 2011- em Londres e a do Banco Central Europeu (BCE) em Frankfurt (Alemanha) em 1998, explicou a porta-voz, que as classificou de "anulações excepcionais".

A notificação oficial do Reino Unido de seu desejo de abandonar a UE iniciou na quarta-feira os dois anos de negociações do divórcio, mas também o começo de uma batalha entre os países do bloco para acolher os dois organismos baseados no Reino Unido: a EBA e a Agência Europeia de Medicamentos (EMA).

Segundo a imprensa, Amsterdã, Dublin, Frankfurt, Paris e Viena estariam interessadas em acolher a sede da autoridade bancária, segundo os meios de comunicação onde trabalham cerca de 170 pessoas oriundas de 27 países europeus, principalmente Itália e Alemanha.

Após o anúncio do Grão Ducado, a Irlanda ressaltou sua vantagem linguística -o inglês- e seus serviços financeiros bem estabelecidos, enquanto Viena reconheceu que muitos países podem estar interessados pelos organismos da UE estabelecidos no Reino Unido com o Brexit.

"Isso não muda em nada o fato de considerarmos Viena como um lugar ótimo não só para a Trasa EBA como também para as outras organizações e continuaremos fazendo campanha neste sentido", segundo o porta-voz do Banco Nacional da Áustria, Christian Gutlederer.

O ministro das finanças alemão, Wolfgang Schäuble, expressou em entrevista coletiva na semana passada seu desejo de que este organismo se mude para Frankfurt em uma fusão com a Autoridade Europeia de Seguros.

Por sua vez, a Espanha, que em um primeiro momento se interessou em acolher a EBA, finalmente concentrou seus esforços em sua aposta para receber a Agência Europeia do Medicamento em Barcelona, explicou em março o presidente do governo espanhol, Mariano Rajoy, após o último Conselho Europeu em Bruxelas.

A Bélgica anunciou recentemente seu interesse em receber a EMA, que já conta com outros pretendentes, como a região parisiense, Lyon ou Milão.