Luxo: Grifes como Dior e Dolce & Gabbana lançam objetos de decoração em Milão

O delicado suspiro, doce que evoca memória afetiva em tanta gente, inspirou os Irmãos Campana na criação do pufe Merengue, que os designers brasileiros apresentaram no décimo aniversário da coleção Objets Nomades, da Louis Vuitton, na Semana de Design de Milão, no início de junho. “É um pufe em forma de doce que pontilha os espaços com cores e sensações de movimento e alegria”, define Humberto. “Há uma ligação entre doçura e afeto que queríamos explorar.” O Aguacade, tela coloridíssima e modular, em formas orgânicas, foi outra peça inédita lançada pela dupla na ocasião. “É o resultado de mais de dois anos de pesquisa, com a ideia central de criar uma arte de parede montável que desse às pessoas a liberdade para organizá-la de maneira única e criar sua exibição pessoal”, explica Fernando.

A exposição dos objetos (de desejo) que refletem o espírito viajante da Louis Vuitton foi um dos pontos altos da design week, assim como as apresentações das linhas home da Hermès e da Dolce & Gabbana. Prova de que a moda e o design andam, mais que nunca, juntos e misturados.

Outro show, com fila na porta, foi o lançamento das cadeiras Medallion assinadas por Philippe Starck, em parceria inédita com a Dior. Em releituras em alumínio, com um, dois ou nenhum braço, o designer francês reverencia a feminilidade. “Alguns (estilistas) procuraram a vida toda pelo pretinho básico, eu sempre sonhei com a cadeirinha perfeita. Este ícone de perfeição existe claramente em nosso inconsciente coletivo, na forma da cadeira Medallion Louis XVI e seu encosto oval, um dos símbolos da Maison Dior”, comentou Stark, em entrevista ao WWD. Na criação, a questão do “menos é mais” foi levada ao pé da letra — em alguns pontos, a peça tem menos de um centímetro de espessura. “Atingimos o mínimo. Trabalhei para criar um design totalmente atemporal, definitivo, para que nunca saia de moda.”

Embora mais forte agora, o relacionamento do design com a moda é antigo. “A partir dos anos 1960, essa relação se intensificou, com designers chancelando grifes de moda e vice-versa. Nessa década, André Courrèges, Paco Rabanne e Pierre Cardin criaram e produziram objetos e linhas para casa. Sobretudo Cardin, que foi muito além das passarelas, idealizando móveis até hoje icônicos”, diz Paula Acioli, pesquisadora e analista e moda e comportamento.

Ela ressalta que, com a pandemia, houve uma mudança nos hábitos de consumo, sobretudo por parte das novas gerações, engajadas nas questões de sustentabilidade e com grande interesse no universo da arte, do design e da moda. “Os grandes conglomerados de luxo estão atentos. É uma estratégia para potencializar o consumo de produtos que, duplamente chancelados, terão ainda mais valor agregado, para muito além da sazonalidade de coleções e estações”, completa a pesquisadora.

Além disso, há uma maior disposição geral em investir mais em objetos para a casa — com a pandemia, 54% dos brasileiros passaram a dar mais importância ao lar, segundo dados levantados pela consultoria Consumoteca. De olho nesses movimentos, a Dolce & Gabbana abriu dois novos endereços dedicados à casa em Milão, e a Aquazzura lançou, mês passado, a sua primeira linha home. “O que nos rodeia nos ajuda a inventar quem somos. Se antes já havia uma correlação forte entre moda e identidade, observa-se que a casa começa a dizer também quem você é. Sobretudo, pela quebra da privacidade. Todo mundo trabalha mais de casa, faz reunião dentro de casa, posta dentro de casa”, analisa o antropólogo Michel Alcoforado, da Consumoteca.

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