Luz no fim do túnel: venezuelanos vêm ligeira melhora na economia

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(SCHNEYDER MENDOZA/AFP via Getty Images)
(SCHNEYDER MENDOZA/AFP via Getty Images)
  • Venezuela, entre projeções de crescimento e queda, vê “sangria estancar”. 

  • Governo de Nicolás Maduro teve de adotar política econômica amigável ao empresariado

  • País tem 76,6% da população vivendo em extrema pobreza 

A hiperinflação e a recessão fizeram a Venezuela perder ao todo 75% do PIB desde 2013, chegando a ter quedas anuais de 20 a 30 pontos percentuais no Produto Interno Bruto nos últimos oito anos. Mas dessa vez, embora o Governo mantenha silêncio sobre as informações, analistas financeiros nacionais e internacionais projetam um panorama de fim de ano entre uma pequena recuperação da atividade econômica ou uma queda moderada.

Após a análise surpreendente do banco de investimentos Credit Suisse, que projetou um crescimento de 4% para o país no ano de 2021, a maioria dos economistas venezuelanos entendem que o período de queda livre nos números econômicos que vem desde a crise cambial de 2013 no país, no início do governo de Nicolás Maduro, se acabou por ora, embora o Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta uma recessão de 5% para o país.

Alguns economistas, em entrevista ao jornal El País, creditaram a pequena recuperação econômica venezuelana graças ao crescimento do chamado “PIB do Petróleo”, um dos parâmetros tradicionais para avaliar o comportamento da demanda por bens e serviços na Venezuela. 

“Houve uma pequena recuperação na produção de petróleo nacional que pode estar ancorada no reboque do aumento dos preços do petróleo neste momento”, disse o economista Orlando Ochoa ao El País. "O governo tem alguma receita adicional e, nos Estados Unidos, os democratas estão dando à Venezuela algum espaço para respirar para poder comercializar seu petróleo, aliviando a pressão das sanções”, completou Ochoa.

Os cálculos de Ochoa indicam que, em 2021, a alta do chamado “PIB petrolífero” poderá ser de 12%, enquanto o “PIB não-petrolífero” poderá cair 3,5%, o que pode configurar um cenário nacional ainda recessivo de 1,5%.

Com a indústria e o comércio severamente prejudicados, sem as receitas milionárias do petróleo do passado, o governo de Nicolás Maduro finalmente teve que adotar uma política econômica favorável aos negócios para sobreviver, buscando desesperadamente estímulos para o investimento internacional e aumentando a participação do dólar na economia. 

O desabastecimento, uma das grandes mazelas da sociedade venezuelana na década anterior, desapareceu, embora o último Levantamento de Condições de Vida realizado por três universidades do país tenha relatado que 94,5% do país seja pobre, e que 76,6% está abaixo da linha da pobreza extrema, vivendo com ingressos inferiores a 1,2 dólar por dia.

Um grupo de economistas de origem equatoriana que assessora diretamente a vice-presidente Delcy Rodriguez, e que no passado foram próximos ao ex-presidente equatoriano Rafael Correa, conseguiu convencer o governo de Maduro a tomar decisões longe do populismo: acabar com a âncora cambial; não emitir dinheiro inorgânico e fortalecer a disciplina monetária, com a qual a hiperinflação também perdeu força.

Dos incríveis aumentos anuais de 30 mil por cento no IPC de 2018, a Venezuela poderia terminar 2021 em torno de 1.000%, cifra que ainda é a mais alta do mundo, mas consideravelmente inferior à de todos esses anos e, segundo especialistas, com tendência a continuar diminuindo.

Fontes ouvidas pelo El País indicam que houve uma recuperação tímida no agronegócio e há pequenas áreas positivas, muito isoladas, no setor de construção. A manufatura e o setor financeiro continuam muito parados, devido à crise de crédito. Não será possível sustentar um crescimento extenso e prolongado, dizem os especialistas consultados, sem investimentos para recuperar a infra-estrutura petrolífera, sem acesso ao crédito internacional e com o grave problema de credibilidade que Maduro tem nos mercados financeiros.

“Já podemos falar de crescimento econômico, não como uma possibilidade, mas como uma certeza”, diz Henkel García, sócia-gerente da Econométrica, em entrevista ao El País. “É um pequeno crescimento que ocorre depois da derrocada dos anos anteriores. Crescer em relação a 2020 foi fácil. Não descarto nem mesmo que o crescimento venezuelano em 2021 esteja na casa dos dois dígitos, acima de 10%, mas continua a nos deixar em um ponto muito baixo em relação a 2019”, diz García.

A economista também completou ao jornal que é impossível recuperar os números para as situações do passado, quando o país já foi a quarta maior economia da América Latina, sem que haja um acordo para estimular a mudança política: “O que foi feito até agora é necessário, mas insuficiente para tirar as pessoas da pobreza, para recuperar o tamanho da economia, para conter o êxodo de cidadãos”, completou García.

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