Márcio França acusa Bruno Covas de abuso de poder político e econômico na Justiça Eleitoral

Dimitrius Dantas
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Agência O Globo
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SÃO PAULO - A campanha do ex-governador Márcio França (PSB) protocolou nesta sexta-feira uma ação por abuso de poder político contra o prefeito Bruno Covas. Os advogados de França alegam, entre outras coisas, que o tucano contratou empresas sem licitação com objetivos eleitorais, recebeu doações de empresários com pendências ou contratos com a Prefeitura e contratou um funcionário da Prefeitura que estaria recebendo horas extras como servidor. Além do prefeito, o candidato a vice, Ricardo Nunes (MDB) também foi acusado.

Segundo a petição inicial do processo, há "fatos contundentes" que justificariam a abertura de invstigação sobre abuso de poder poítico, econômico e condutas vedadas no período eleitoral.

"Sem qualquer cerimônia e sem distinguir o público do privado, o atual prefeito e candidato à reeleição Bruno Covas Lopes usa a máquina pública em seu favor para conseguir seu intento eleitoral", afirmaram os advogados de França.

Entre as acusações feitas ao atual prefeito, está a contratação, com dispensa de chamamento público, da empresa Iabas, responsável pela administração do Hospital Bela Vista.

Os advogados de Márcio França também apontam o que indicam ser "abuso de poder econômico" por meio da doação de uma série de empresários do ramo imobiliário à campanha do prefeito Bruno Covas. Alguns deles, afirmam os advogados de França, devem valores consideráveis à Prefeitura ou tem contratos vigentes com o Poder Público municipal.

"A soma das doações de campanha dos renomados empresários traduz nada mais nada menos que a quantia de R$ 1,33 milhão . Esse é o valor recebido a título de doação eleitoral daqueles que participam ativamente de contratos celebrados com o poder público em âmbito municipal e estadual", afirma a campanha de França.

Em outro ponto da acusação, a coligação do candidato do PSB indica que a campanha de Bruno Covas contratou um servidor público municipal ao mesmo tempo em que ele recebe horas suplementares em seu cargo na Prefeitura.

O funcionário é agente de apoio da Subprefeitura de Jaraguá e foi convocado para a prestação de "horas suplementares" no período entre 1 de novembro e 30 de novembro. Entretanto, segundo a denúncia, ele é responsável pelo abastecimento dos 24 veículos utilizados pela campanha de Covas.

Além disso, os advogados também juntaram um documento da prestação de contas da campanha de Covas que aponta a contratação de uma empresa do mesmo funcionário público por R$ 25 mil.

"Ou seja, o funcionário público, que foi convocado formalmente pela municipalidade para exercer horas de trabalho suplementares, foi, paralelamente, contratado pela campanha do prefeito e candidato à reeleição Bruno Covas para: abastecimento de todos os veículos declarados em sua prestação de contas; e para prestar serviços administrativos e financeiros no valor de R$ 25.440,00", afirmam os advogados de Covas.

O GLOBO procurou a campanha de Bruno Covas mas não recebeu resposta até a publicação desta matéria.