As más práticas da Uber

A empresa norte-americana Uber recorreu à violência e ao lóbi político junto de Governos para promover a expansão da gigante tecnológica em vários países, segundo um trabalho do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação, que envolveu 40 meios de comunicação em 29 países.

De acordo com a análise de mais de 124 mil documentos, entre 2013 e 2017 o então diretor executivo, Travis Kalanick aprovou uma estratégia global que violava leis e regulamentos locais e que promovia a aproximação a grandes empresários de "media" e de políticos. Entre eles, o atual presidente francês, Emmanuel Macron, que na época ocupava a pasta de ministro da Economia.

Em comunicado, o Palácio do Eliseu explicou que, na época, como Ministro da Economia, Macron foi "naturalmente levado a discutir com muitas empresas envolvidas na profunda transformação dos serviços que têm ocorrido ao longo dos anos, que deveria ser facilitada pela remoção de certas barreiras administrativas ou regulamentares".

Um pouco por todo o mundo, surgiam protestos dos taxistas, que viam a Uber como uma ameaça e uma concorrente desleal, devido ao modelo empresarial que era sinónimo de insegurança e precarização do trabalho.

Na época, os líderes da Uber usaram a narrativa de violência dos taxistas contra os motoristas da empresa para promover a expansão.

A atual administração da empresa norte-americana assumiu as “falhas” e “erros” do passado, mas garantiu que as más práticas terminaram em 2017, quando Kalanick foi substituído por Dara Khosrowshahi. De acordo com a porta-voz da Uber,Jill Hazelbaker, “Hoje, somos uma empresa diferente. Pedimos que nos julguem pelo que fizemos nos últimos cinco anos e pelo que faremos nos próximos anos”, disse Hazelbaker, que assegurou que a empresa “não tentará arranjar desculpas para o comportamento no passado”.

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