Mãe é condenada a 35 anos de prisão pela morte de bebê na Coreia do Sul

Uma mulher foi condenada a 35 anos de prisão pela morte da filha, de 1 ano e 4 meses, em outubro de 2020, num caso que repercutiu na Coreia do Sul como um dos episódios mais graves de abuso infantil dos últimos anos. A sentença foi confirmada pela Suprema Corte sul-coreana nesta quinta-feira, informou a agência de notícias local "Yonhap News".

Inicialmente, a mãe de Jung-in, identificada apenas pelo sobrenome Jang, foi condenada à prisão perpétua por um tribunal distrital. Ela entrou com recurso e teve a pena reduzida para 35 anos de reclusão. O marido dela, de sobrenome Ahn, também foi condenado, mas com uma sentença menor, de 5 anos na cadeia. O homem havia recebido acusação apenas de abuso infantil por ajudar e encorajar a violência de Jang contra o bebê.

Quando o caso foi revelado pela imprensa, o cantor Park Jimin, integrante do grupo BTS, se manifestou contra o abuso infantil por meio de uma publicação na comunidade de interação com fãs "Weverse", com a hashtag "Jeong-in, desculpe", usada em apoio à vítima. A publicação repercutiu em diversos países e atraiu atenção de internautas para a ocorrência. O caso revoltou a população do país, que exigiu do governo leis mais rígidas em situações de violência contra crianças.

De acordo com a imprensa local, foram feitas três denúncias de abuso infantil a partir de maio de 2020, sem que alguma medida fosse tomada para proteger Jung-in.

O primeiro alerta foi dado por uma funcionária da creche, que observou marcas de agressão no bebê. Em depoimento na Delegacia de Polícia de Yangcheon, os pais alegaram que "provavelmente massagearam a garota com muita força". O caso foi então encerrado, informou o jornal "Korea Joongang Daily".

No mês seguinte, a segunda denúncia indicava que a menina tinha sido deixada dentro de um carro estacionado. Depois, Jung-in passou a ser mantida em casa, indo à creche apenas seis vezes entre julho e setembro de 2020, quando um pediatra relatou indícios de abuso à polícia. Alegando falta de provas, a polícia encerrou a investigação novamente.

Jung-in morreu após sofrer três paradas cardíacas no dia 13 de outubro daquele ano em um hospital em Mok-dong, no distrito de Yangcheon, com ferimentos pelo corpo, incluindo na região da cabeça, além de múltiplas fraturas. Um funcionário da unidade de saúde relatou suspeitas de abuso infantil à polícia.

A autópsia concluiu que Jung-in, adotada pelo casal em fevereiro de 2020, morreu de graves lesões abdominais e hemorragias internas causadas por "forte força externa". Exames mostraram que a vítima foi espancada habitualmente nos cinco meses anteriores à sua morte, com ossos fraturados e hematomas pelo corpo.

A mãe, que trabalhava como intérprete, foi indiciada em novembro por homicídio culposo por abuso infantil pelo Gabinete do Promotor do Distrito Sul de Seul, enquanto o pai, que era funcionário de uma emissora, foi indiciado por negligência. Ela admitiu os maus-tratos, mas alegou que a morte foi um acidente.

O casal, que tem uma filha biológica, ainda criança, chegou a aparecer em um programa do Korea Educational Broadcasting System com as duas meninas para promover a adoção no país.

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