Mãe afirma: PM disse para colega 'você fez besteira' após morte de criança em Niterói

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Foto: reprodução

Mãe de Ana Clara Machado, a menina de 5 anos morta ontem enquanto brincava na porta de casa, em Niterói, Cristiane da Silva acusou a PM de ser a responsável pela tragédia. A corporação afirma que a criança foi baleada durante um confronto entre agentes e bandidos na comunidade Monan Pequeno, no bairro de Pendotiba; ela diz que ouviu um policial falar para outro "você fez besteira", referindo-se aos dois disparos que atingiram a criança.

— Eles (os PMs) subiram e viram dois meninos sentados, mexendo num celular. Os policiais atiraram. Um dos meninos se rendeu, mas um PM continuou dando tiros. De lá, conseguiu acertar minha filha. O menino continuou falando “sou morador, sou morador”. Eu corri para ver minha filha, que estava no chão. Ele (o policial) foi falar com o menino, e um policial falou para o outro “você fez besteira, você fez besteira” — disse Cristiane ao “RJ TV 2”, da Rede Globo. — Eu gritava para ele socorrer minha filha, que estava com um osso exposto. Fiquei gritando “salva minha filha”, e ele pegou a Ana Clara de qualquer jeito; botamos dentro da viatura. Eu falei “vocês mataram a minha filha, acabaram com a minha vida”. Mataram uma criança de 5 anos.

De acordo com a Secretaria estadual de Saúde, Ana Clara chegou a ser atendida no Hospital Azevedo Lima, no Fonseca, mas foi a óbito às 11h53.

A Polícia Militar informou que os agentes faziam patrulhamento na Estrada do Monan Pequeno para verificar denúncias de roubos. Os PMs teriam sido surpreendidos por cinco bandidos, que, segundo relatos da equipe, abriram fogo. Houve revide e o confronto se estendeu ao interior da comunidade.

Os PMs contaram que, quando estavam no ponto mais alto da favela, ouviram gritos de moradores pedindo socorro para uma criança baleada. Em seguida, uma viatura a levou para o hospital.

À tarde, moradores fizeram um protesto na Estrada Francisco da Cruz Nunes, próximo ao Largo da Batalha. Peritos estiveram no local onde Ana Clara foi morta e recolheram cápsulas de balas para análises. Em nota, a Secretaria estadual de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos informou que ofereceu atendimento social e psicológico para a família da menina.

Segundo a plataforma Fogo Cruzado, Ana Clara foi a quarta criança baleada na Região Metropolitana do Rio só este ano. Uma outra morreu: Alice Pamplona de Souza, também de 5 anos, foi atingida enquanto via uma queima de fogos no Morro do Turano, no Rio Comprido, na madrugada de 1º de janeiro.