Mãe aos 50, Regina Casé se acha hoje 'mais calma, equilibrada, menos sufocante, apavorada'

Luiza Barros
Família brasileira: Ryan (Thiago Martins), Magno (Juliano Cazarré), Brenda (Clara Galinari), Lurdes (Regina Casé), Érica (Nanda Costa) e Camila (Jessica Ellen)

RIO — De volta às novelas após 18 anos, Regina Casé vive uma babá que criou quatro filhos e ainda sonha encontrar um deles, vendido pelo pai para um traficante de crianças. Na vida real, aos 65 anos ela é mãe de Benedita, de 30, e Roque, de 6, e na entrevista abaixo fala sobre os mitos, os clichês e os desafios da maternidade.

Na nova trama das 21h, as protagonistas são movidas pelo sentimento mais intenso. “Amor de mãe”, que estreou na segunda-feira no lugar de “A dona do pedaço”, traz ainda Taís Araújo, como uma rica advogada que enfrenta obstáculos para viver a maternidade, e Adriana Esteves, na pele de uma mulher que superprotege o filho e terá que rever suas escolhas após receber um diagnóstico decisivo.

Qual é o maior mito da maternidade?

Regina: A gente ouve muito o ditado “a natureza é sábia”. Eu fui mãe da Benedita novinha e do Roque (de seis anos) muito mais velha. Acho que sou para ele uma mãe melhor, muito mais calma, equilibrada, menos sufocante, apavorada. E na idade em que me tornei mãe dele não poderia mais ter filho, seria avó. Então essa regra realmente não existe.

E qual o clichê que realmente acontece?

Regina: Falam que sua vida vai mudar completamente e é verdade. Há muitas preocupações o tempo todo. Eu sou mãe de um filho negro, tenho que educar ele para o que ele vai encarar. E cada filho é um desafio diferente. Há pouco, a Benedita revelou algo que eu sempre quis falar e ela quis esperar o tempo certo: que ela não ouvia e usava aparelho. Então a minha luta com a Benedita para ela não ser discriminada porque era surda em muitos aspectos me ensinou a lutar com o Roque pra ele não ser discriminado por ser negro, mesmo sendo coisas completamente diferentes.


Que aprendizados vocês leva da sua mãe para a educação dos seus filhos?

Regina: A principal lição dela que eu levo é: seja o que você é do seu jeito, não tem que ser outra coisa para agradar as pessoas. E isso eu venho perseguindo há bastante tempo.

Quando cai a ficha de que você é responsável por outro ser humano?

Regina: Quando minha primeira filha (Benedita, de 30 anos) nasceu foi muito difícil, porque nós duas quase morremos no parto. A partir daí a gente se agarrou e seguimos para o resto da vida. Temos uma ligação visceral, muito forte.