Mãe de dois bebês com diferença um ano, Camilla Carmargo diz: 'Ainda vou aprender o que é ter um filho fora da pandemia'

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Em março de 2020, quando foi declarada uma pandemia a nível mundial, Camilla Camargo experimentava os primeiros momentos da maternidade com Joaquim, na época com 6 meses. Hoje, mais de um ano após a Covid-19 alterar a dinâmica e o modo de vida das pessoas ao redor do mundo, a atriz já não é mais marinheira de primeira viagem e dá conta do filho mais velho, agora com 1 ano e 10 meses, e da pequena Julia, de apenas 3 meses, nascida em um dos momentos mais críticos do contágio. Com mais de 22 peças teatrais no currículo e uma carreira de youtuber em construção, Camilla falou ao EXTRA sobre a experiência materna no período conturbado da pandemia.

Costumam dizer que um filho nunca é igual ao outro. Joaquim e Julia não fugiram ao clichê da sabedoria popular. Segundo Camilla, tudo foi diferente, desde a gestação. Apesar de um descolamento de placenta na décima semana, a primeira gravidez permitiu, por exemplo, que a atriz trabalhasse até os sete meses. Quando chegou a vez de Julia, além dos enjoos, Camilla diz ter tido dores, formigamentos e problemas com o sono. Além disso, as circunstâncias impostas pela pandemia tornaram as duas experiências muito distintas para a filha de Zezé Di Camargo e Zilu Godoi.

— Joaquim nasceu em um momento que a gente ainda não tinha a pandemia, então teve chá de fralda, visita na maternidade... Ele viveu muito com a família nos primeiros meses, até a pandemia, e a Julia não. A Julia não teve chá de fralda, não teve visita na maternidade, foi só eu e o Léo, não podia ter visita nem do Joaquim — conta a atriz, casada com Leonardo Lessa.

Devido à pandemia, o casal não pode contar tanto com a presença de outras pessoas da família para ajudar com as crianças — e, desde o nascimento de Joaquim, Camilla optou por não contratar babás. A atriz lamenta que a filha mais nova, por exemplo, ainda não tenha conhecido parte dos parentes, mas a artista reconhece o privilégio de poder se dedicar integralmente aos cuidados com as crianças.

— A gente agradece, todos os dias, o privilégio de estar em casa em um momento tão difícil, e podendo cuidar dos meus filhos 24 horas por dia. Agradeço a Deus sempre, por essa oportunidade — relata Camilla.

Apesar da distância física, Camilla diz poder contar com a ajuda indispensável da mãe, Zilu, que atualmente vive em Miami, nos Estados Unidos, mas está sempre "por perto". Ela conta que o filho mais velho já aprendeu até a falar "vovó Zilu".

— A gente mantém sempre contato com ela, a gente se vê muito. Tento colocar ela de uma forma que participe da vida dos meus filhos da melhor maneira possível. Mesmo longe, a gente tenta sempre estar presente, seja mostrando foto, fazendo ligações. Isso é uma coisa que a internet ajuda muito — conta Camilla.

Durante o dia, Camilla fica mais sozinha com as crianças. À noite, divide as tarefas com Leonardo, que já voltou a trabalhar. Para a atriz, o que o marido faz não é ajudar, e sim exercer a paternidade. Segundo ela, Leonardo desempenha muito bem esse papel.

— Quando ele chega, a gente divide as funções mesmo. E eu não gosto nem de falar “ajudar”, porque eu acho que pai não ajuda, pai é pai, né? E ele exerce muito bem a paternidade, de uma forma muito linda. No fim de semana, quando ele fica o dia todo em casa, cada hora um fica com um — explica a atriz.

Sobre a dinâmica na pandemia, Camilla diz que ainda está se adaptando às mudanças com o crescimento de Joaquim — que, segundo ela, já começou a sentir vontade de interagir socialmente com crianças da mesma faixa etária — e com as necessidades de Julia.

Enquanto o menino já tem uma rotina mais definida, os pais ainda estão aprendendo a lidar com as demandas da pequena, que está na fase de regulação dos horários de sono — e, a propósito, dormia no colo da mãe enquanto ela falava ao EXTRA.

— Confesso que não sei muito o que é ter um filho fora da pandemia, porque o Joaquim foi durante pouco tempo. A pandemia chegou, ele estava com seis ou sete meses, então não tinha, ainda, aquela rotina de criança. Eu ainda vou aprender o que é ter um filho fora da pandemia — afirma a artista.

Que a maternidade não é apenas um mundo cor-de-rosa, todo mundo sabe. Mesmo que boa parte das mulheres se sintam culpadas em admitir, a vida materna tem seus momentos de cansaço e aflição. Para Camilla, o fato de a maternidade não ser simples não anula a beleza que é ser mãe.

— Quase tudo na vida tem um lado difícil também, né? E a maternidade não é diferente. Para quem tem o sonho, o espírito maternal, assim como eu tenho desde sempre, é uma benção no fim das contas. Mas acho que a gente não tem que ter culpa em relatar que existem esses dias em que de repente o dia acaba e você não conseguiu fazer aquilo que você gostaria — conta a atriz.

Para outras mães, Camilla diz que sempre tenta passar a mensagem de que é normal se sentir angustiada:

— É um processo, é uma adaptação, e tá tudo bem às vezes sentir angústia. É humano de quase toda mãe sentir insegurança no começo, e eu acho que faz parte, tudo isso. É uma aprendizagem.

Sobre a relação entre pressão estética e puerpério, Camilla acredita que, nessa fase, muito da preocupação das mães recentes com o corpo é fruto da comparação com outras mulheres. A atriz reforça que os corpos são diferentes, mudam muito com a maternidade, mas que essa mudança deve ser vista com um outro olhar.

— Não tem como comparar o que vai acontecer com a gente e o que acontece com outra mãe. Nós somos pessoas diferentes, nossos corpos respondem de maneiras diferentes. O corpo muda com a maternidade, e é uma mudança para um bem maior, para gerar um filho. É o que costumo dizer: meu corpo era o templo dos meus filhos, então eu acho que tá tudo bem com essas mudanças que acontecem, elas são necessárias e são lindas — diz Camilla.

Atualmente, a mãe de Joaquim e Julia tenta retomar a rotina de atividades físicas, o que, segundo ela, tem sido difícil. Mas a artista deixa claro que está em paz com isso e acredita que as mulheres devem ser mais amáveis consigo mesmas.

No campo profissional, Camilla descobriu um novo talento. Além da experiência dos palcos e telas, abraçou o projeto da criação de um canal no YouTube. Há seis meses, ela compartilha a rotina, a carreira, a maternidade e outras curiosidades com seus quase 40 mil seguidores.

Para o futuro, a atriz aguarda com ansiedade o momento em que poderá voltar a atuar nos palcos e nas telas. Antes da pandemia, a atriz gravou participação no filme "Intervenção", com estreia marcada para este ano, em que interpreta a repórter Luiza Bastos. Camilla também pode ser assistida no longa “Travessia”, disponível na plataforma de streaming Amazon Prime, onde interpreta a jovem Marina.

— Quando estivermos todos vacinados, espero que seja em breve, provavelmente vou estar saindo também do puerpério da Julia. E aí eu pretendo voltar aos palcos e a gravar, seja na televisão, em série, no cinema… Sinto muita falta de trabalhar, sabe? Acho que o trabalho enriquece a gente como ser humano — afirma Camilla.

*Estagiário sob supervisão de Ana Carolina de Souza

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