Mãe de Eva, Nathalia Dill questiona padrões: 'Minhas calças ainda não cabem em mim. É chato. Mas não sei se quero ficar apegada ao corpo antigo'

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Em meados de julho, Nathalia Dill levou a filha, Eva, então com 6 meses, à praia pela primeira vez. Em seu perfil no Instagram, relatou a complexa logística que envolvia a “aventura” na legenda de uma foto das duas com o mar ao fundo. Parte dos seus mais de quatro milhões de seguidores ficou encantada com a fofura da bebê; parte das fãs se sentiu representada pela barriga real do pós-parto. “Até que enfim uma recém-mãe de biquíni normal na praia. Quebrando padrões”, escreveu uma. “Gente como a gente”, postou outra. “Acho lindo uma mãe se mostrar como ela é, fugindo das cobranças em relação a estar perfeita”, exaltou uma terceira. “Estava tão preocupada com as tralhas que teria que levar, se a Eva ia dormir no caminho ou se o sol estava quente demais que não pensei se meu corpo estava o.k. ou não para ir à praia. E ainda bem que não pensei, né? Isso não não deveria ser uma questão para ninguém.”

Em uma hora e meia de conversa, a atriz carioca de 35 anos falou também sobre pressão para artistas se posicionarem politicamente (“Já fui mais radical, de não aguentar os neutros, mas acalmei. As pessoas têm de ir até onde conseguem"), criminalização do aborto ("É muito mais sobre o prazer da mulher do que sobre o feto em si") e os planos de casamento com o músico Pedro Curvello ("A aliança ficará na mão direita até o dia da festa"). Leia entrevista completa aqui.

MUNDO REAL

“O corpo do ator tem que servir ao personagem, e não a um padrão estético. Às vezes isso pode se confundir. Há alguns anos, havia uma patrulha muito forte. Toda vez que ia à praia, sites mostravam ‘Nathalia e suas celulites’. Não sou uma máquina, e me sentia muito desconfortável, pois era uma forma de depreciação, em que colocava-se a celulite como defeito. De uns tempos para cá, a celulite não esta mais nos títulos. Felizmente.”

PÓS-PARTO

“Eva acabou de completar 8 meses, e as minhas calças ainda não cabem em mim. Isso é chato. Agora que voltei a fazer exercício, aos poucos. Mas não sei se quero ficar apegada ao corpo antigo. É um novo corpo. Vejo meu braço mais gordinho, a barriga estufadinha. Estou mais presente. Tinha aquela fantasia de que a mulher saía maravilhosa do parto normal, pronta para correr uma maratona. Pode até ser para algumas, mas comigo não foi bem assim. O meu pós-parto foi muito difícil. Tive laceração e precisei levar pontos. Fiquei duas semanas com dor. Minha irmã, que fez cesárea, teve a recuperação muito mais tranquila. Não que eu esteja defendendo a cesariana, imagina, mas acho que não podemos romantizar.”

LIBIDO

“É preciso olhar com atenção e respeitar os ciclos naturais da mulher, inclusive o menstrual. Somos cíclicas e não podemos estar servindo ou produzindo sempre na mesma frequência. Por que ainda é tabu a libido ser fluida? E se a mulher está ótima, com a vida sexual ativa, é porque ela não está se conectando com o filho? A sociedade não acolhe as puérperas. Em determinado momento, eu e Pedro nos olhamos e falamos: ‘Cara, acho que acabou a nossa vida’. Agora, que Eva conquistou um pouquinho mais de autonomia, ela passa os domingos com meus pais. Quando estávamos no meio do furacão, não imaginávamos que seria possível voltar a ter momentos a dois.”

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