Mãe de jovem morta no Rio diz que temeu ser alvo da madrasta suspeita de envenenamento

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Cíntia Mariano, presa sob suspeita de matar por envenenamento a enteada Fernanda Dias Cabral, 22, ofereceu comida à mãe de Fernanda, a autônoma Jane Carvalho, durante o período de internação da jovem no Hospital Estadual Albert Schweitzer, em março, no Rio de Janeiro. O relato é da mãe da jovem.

A autônoma conta que a madrasta visitou Fernanda por 13 dias e sempre levava algo para Carvalho comer. No entanto, ela disse que não aceitava o alimento porque se sentia triste, sem apetite e que chegou a emagrecer no período. Na época, não suspeitava, mas agora diz acreditar que podia ser uma "sabotagem".

A defesa da suspeita diz que ela nega todas as acusações.

"Ela passou a me oferecer comida direto. Eu tinha medo de ser uma sabotagem também, porque eu fiquei muito mal, não me alimentava direito e as pessoas estavam querendo me incentivar. Mas acredito que da parte dela não seria nada saudável e tinha uma sabotagem aí também, porque era muita insistência", conta a mãe da jovem.

À Folha Carvalho diz que, antes da morte de Fernanda, tinha uma relação cordial com a família do ex-marido. A jovem de 22 anos trabalhava em feiras de livros com o pai, Adeílson Cabral, com quem morava há um ano e meio, em Padre Miguel, com Mariano e a filha de Mariano.

A autônoma também disse que seu filho de 16 anos chegou a passar por algumas situações em que ficava constrangido com a madrasta.

"Cíntia e eu nunca fomos amigas nem inimigas, e sempre pedi aos meus filhos que respeitassem ela. O meu filho observava muitas coisas, mas guardava para ele. Ela apagava mensagens que ele enviava para o pai, escondia a carteirinha de escola dele", disse Carvalho.

A autônoma diz que agora ela e o filho relembram situações estranhas com a madrasta. "Outra vez mesmo ele estava lá com o amiguinho jogando, e ele saiu para cortar cabelo, deixou o amigo. Quando ele voltou, ela tinha desligado o disjuntor, desligou o ar-condicionado e só o do quarto dela tava funcionando. Ela era bem macabrazinha assim, só que a gente não achava que ia chegar a esse ponto."

As situações passadas, porém, nunca chamaram tanta atenção deles, conta a mãe de Fernanda. "Com todas essas histórias vindo à tona agora, a gente nunca imaginou que ela ia ser essa mulher macabra."

O advogado de defesa da madrasta, Carlos Augusto Santos, disse que se compadece da perda de Jane Carvalho e preferiu não comentar as declarações.

SUSPEITA NEGA OS CRIMES

Segundo Santos, o filho biológico de Cintia Mariano publicou uma carta na segunda-feira (30) em que afirma que a mãe confessou os crimes a ele em uma conversa.

A defesa de Mariano afirma, no entanto, que ela se diz inocente da morte e da suspeita de tentativa de homicídio e que não entende por que o filho fez as acusações contra ela.

A reportagem não conseguiu localizar o filho para confirmar o teor da carta. O delegado Flávio Rodrigues, responsável pelo caso, da 33ª Delegacia de Polícia (Realengo), não soube informar se ele possui advogado.

Ainda de acordo com Santos, a cliente está traumatizada e abatida na prisão. Segundo ele, Cíntia Mariano diz que não conversou com o rapaz sobre as mortes.

"Ela está totalmente abalada, pois não entende porque o filho fez isso", diz o advogado. O rapaz, segundo Santos, não morava com a Cintia. "E, no próprio depoimento, ele afirma que tinha problemas de relacionamento com a mãe. A Cintia prestou depoimento em um domingo, no meio da semana ela foi internada e não sabemos qual foi a circunstância dessa conversa com Lucas", afirma o advogado.

O delegado aguarda o resultado da exumação do corpo da jovem, realizada na última quinta-feira (26), para definir as novas frentes de investigação. Segundo o IML (Instituto Médico Legal), o resultado deve ficar pronto em até 20 dias.

Santos também aguarda o resultado para dar continuidade à estratégia de defesa. "A princípio, é um suposto envenenamento, vamos aguardar o laudo. A perícia do feijão que estaria com supostas substâncias venenosas deu negativo."

O CASO

Cíntia Mariano está presa desde 20 de maio na penitenciária de Benfica, na zona norte. A suspeita de que Fernanda Cabral teria sido morta por envenenamento foi levantada pela mãe da jovem após o filho de 16 anos voltar da casa da madrasta passando mal, em 15 de maio.

O adolescente apresentava os mesmos sintomas que levaram Fernanda a ser internada no Hospital Estadual Albert Schweitzer, em 15 de março. Ela sentia dores no peito, dor de cabeça, língua e boca dormentes e passou 12 dias internada até o dia da morte, em 27 de março, por infecção generalizada.

Na época, a morte não gerou questionamentos e o corpo foi sepultado sem suspeita.

O adolescente de 16 anos se sentiu mal após participar de um almoço na casa do pai. Ele diz ter encontrado pequenas bolas azuis no feijão servido pela madrasta, mas, mesmo após retirar as substâncias estranhas do prato, precisou ser internado.

O hospital Albert Schweitzer diagnosticou uma intoxicação exógena e alertou a Polícia Civil. No exame de corpo de delito do adolescente, a suspeita registrada é de envenenamento.

Após o alerta, houve uma busca na casa da madrasta e do pai deles, onde foi encontrado um pacote de veneno contra ratos, conhecido como "chumbinho".

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