Mãe de MC Maylon nega chantagem a Anderson e diz que pediu a pagodeiro ajuda para pagar exames de DST

Louise Queiroga
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Mãe do cantor e dançarino MC Maylon, de 21 anos, Jupira Pinto, 43, negou neste sábado, dia 6, a alegação de chantagem feita pelo vocalista do grupo Molejo, Anderson Leonardo, 49, que prestou depoimento sobre a denúncia de estupro do jovem contra ele à Polícia Civil nesta sexta-feira.

Jupira explicou que ela se encontrou com Anderson para pedir que ele ajudasse Maylon a passar por exames de detecção de doenças sexualmente transmissíveis, considerando que o ato libidinoso do dia 11 de dezembro de 2020 havia ocorrido sem camisinha, segundo a versão apresentada pelo MC. A mãe do jovem contou que o filho não havia passado por experiências sexuais que o colocassem em risco antes, nem desejava fazer algo sem proteção. Após o episódio, Jupira disse que Maylon sentiu medo de ter contraído alguma DST.

— A gente nunca chantageou o Anderson. Quando eu fui ao Anderson, simplesmente eu fui conversar com ele, para pedir que ele visse médico para o Maylon. A única coisa que a gente queria do Anderson era médico, mais nada. Expliquei bem para ele, que Maylon precisava de médico depois que ele cometeu isso com o Maylon, que ele fez essa coisa horrorosa. O Anderson fez sem camisinha. Maylon de 21 anos. E Anderson com a idade que tem. Maylon nunca tinha tido parceiro — disse Jupira, acrescentando que o filho precisa fazer exames periódicos ao longo de um ano para HIV. — Falei para ele: eu não tenho condições de levar meu filho para fazer exames particulares. Então eu dependo da ajuda dos meus amigos, como está acontecendo agora.

Acusado de estupro pelo cantor e dançarino, Anderson confirmou à polícia que fez sexo com o rapaz num motel, mas garantiu que “foi tudo consensual”.

— É importante dizer que eu estava sendo chantageado, mas aguentei tudo calado. Falei para ele "se você acha que tem que colocar tudo para a mídia, coloca". Pensei que ia falar o que tinha acontecido, eu ter saído com ele, mas não essa coisa de papo de estupro, de cueca com sangue e sêmem. Não sou nenhum menino. Sei muito bem quando uma coisa é forçada e quando não é. As provas estão aí e vão aparecer — afirmou o vocalista.

Dizendo-se vítima de uma armadilha, o pagodeiro prestou depoimento durante quatro horas na 33ª DP (Realengo). Policiais esperam um exame de DNA em uma cueca e num sabonete que, de acordo com a suposta vítima, têm vestígios de esperma e sangue que podem ajudar a comprovar o crime. Os dois poderão ser submetidos a uma acareação, informou um delegado.

Jupira relatou que o ânimo de Maylon mudou drasticamente após o encontro com Anderson no motel.

— O comportamento dele foi mudando dentro de casa, e ele é uma pessoa muito alegre — afirmou. — Ele contagia o local onde ele chega, o espaço onde ele chega, ele alegra as pessoas. Sempre foi assim. Ele vê as pessoas tristes e está sempre ali oferecendo uma palavra carinhosa, está sempre falando alguma coisa para botar a autoestima das pessoas lá em cima. E, de repente, hoje você vê que ele não está nem colocando a dele mesmo lá em cima. Entristecido, a gente começou a ver o Maylon pelos cantos, coisas que não são o costume dele.

A mãe do MC disse que o filho não registrou ocorrência imediatamente contra o cantor por sentir medo da situação constrangedora pela qual está passando atualmente.

— Quando ele foi fazer a denúncia depois de um tempo, foi por medo. Medo devido ao Anderson ser uma pessoa pública — explicou — A gente da família está dando apoio a ele, mas a gente está enfrentando isso tudo de maneira vergonhosa. A gente acaba sentindo vergonha por tudo que a gente passa, evitando ir à rua, evitando tanta coisa.

Jupira mencionou ainda a transmissão ao vivo feita por Anderson nas redes sociais.

— Ali ele fala coisas horríveis. São coisas que ninguém gostaria de estar vendo, ouvindo, ainda mais eu como mãe — avaliou.