Mãe de menina morta depois de ser esmagada por carro alegórico deixa delegacia após depor por mais de duas horas

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Marcela Portelinha,mãe da menina Raquel Antunes da Silva, de 11 anos, que morreu após ser imprensada por um carro alegórico, na dispersão da Sapucaí, foi ouvida nesta segunda-feira por cerca de 2 horas e meia na 6ª DP (Cidade Nova), que investiga o caso. Ela chegou à delegacia chorando, pouco depois de 13h, amparada por outras três mulheres, e deixou o local por volta de 15h40, por uma porta lateral e sem falar com jornalistas.

Douglas Almeida, advogado que representa a escola de samba Em Cima da Hora, responsável pelo carro alegórico, também esteve na delegacia nesta segunda-feira. Ele disse que buscou ter acesso a parte dos autos relativos ao inquérito e afirmou que a escola se comprometeu a disponibilizar o maior número de informações possível para esclarecer como o acidente aconteceu.

A previsão é que um representante da escola seja ouvido, nesta terça-feira, na 6ª DP. Até agora, pelo menos quatro pessoas já foram ouvidas, entre elas o motorista de um guincho que içava o carro alegórico quando a criança foi imprensado contra um poste, na noite da última quarta-feira .

A Polícia Civil investiga o fato como homicídio culposo, quando não há intenção de matar. A delegada Maria Aparecida Mallet, titular da 6ª DP, disse que vai comparar as imagens de um vídeo que flagrou o momento do acidente com os depoimentos de um motorista da alegoria e de uma guia do carro, que manobrava na Rua Frei Caneca, na área externa do setor de dispersão.

— Vamos contrastar as imagens que nós obtivemos do momento do acidente com os depoimentos . Isso será de suma importância para avalizar exatamente o que aconteceu naquele momento — explicou a delegada.

A Polícia Civil apreendeu o carro alegórico dois dias depois do acidente, na última sexta-feira. Com o intuito de determinar as causas do acidente, peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) analisaram e fotografaram a composição, que segue à disposição das autoridades para novas perícias complementares.

Antes de imprensar Raquel a um poste, o carro alegórico já havia apresentado problemas ainda no desfile: houve dificuldade de movê-lo na concentração e durante a passagem pela Sapucaí na metade da apresentação. Antes de passar pela Avenida, o carro precisou se movimentar ao menos sete vezes até ser posto dentro do Sambódromo.

Em depoimento prestado também na 6ª DP, o motorista José Crispim Silva Neto, coordenador de dispersão da Liga-RJ, entidade que coordena a Série Ouro do carnaval carioca, contou que, antes de Raquel ter sido imprensada, ouviu pessoas gritando para parar o reboque, porque havia "uma menina em cima do queijo", e também um aviso de que "tem criança em cima do carro". Ele relatou ainda que a menina foi a única das cinco crianças que não conseguiu descer a tempo de o carro alegórico da Em Cima da Hora colidir que e chegou a vê-la caída no chão, com fraturas expostas nas pernas.

No depoimento, José Crispim Silva Neto contou que, por volta de 22h50, estava caminhando pela Rua Frei Caneca ao lado esquerdo do reboque que estava puxando o carro alegórico da Em Cima da Hora. Ao ouvir os gritos, ele afirmou que a alegoria estava devagar e logo parou. As outras quatro crianças então desceram do carro, mas Raquel não teria conseguido, sendo imprensada contra o poste.

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