Mãe de motorista de aplicativo assassinado na Linha Amarela perdeu um outro filho, ainda criança

Letícia Lopes
·2 minuto de leitura

Aos 24 anos, o motorista de aplicativo Marco André de Paula, que morreu após ser baleado na cabeça quando passava pela Linha Amarela na noite deste domingo, é o segundo filho que a mãe perde. Segundo um amigo da família, um irmão mais novo do rapaz morrera há alguns anos, quando tinha apenas 9, vítima de uma doença. O jovem deve ser cremado.

— Flávia disse que não quer enterrar mais ninguém, passar por essa dor — conta o policial civil Yuri Oliveira, de 20 anos, amigo do jovem.

Marco voltava para casa na noite de domingo após participar de um evento automotivo no Shopping Station Mall, em Jacarepaguá, na Zona Oeste, quando foi baleado na cabeça e no peito após ter o carro fechado por uma BMW na altura da saída 3 da Linha Amarela, no Engenho de Dentro, na Zona Norte.

Na companhia dele, estavam um amigo e a namorada desse rapaz. Eles não foram atingidos pelos disparos. Segundo Yuri, o jovem está em casa, sob efeito de tranquilizantes. Outros amigos de Marco André vinham num segundo carro, atrás, e viram tudo acontecer:

— Esse amigo nosso que presenciou tudo contou que ele sem querer fechou a BMW, aí o assassino fechou ele e disparou. Em nenhum momento falaram de discussão — conta.

Yuri e Marco eram amigos desde a adolescência, e compartilhavam a paixão por automobilismo e ciclismo downhill. A última vez que os dois se viram foi na última quinta-feira, quando foram juntos a um encontro de carros.

— Minha ficha ainda não caiu, para falar a verdade. Marco era uma pessoa tranquila, não tinha problema com ninguém. Era puro, não tinha maldade, não tinha inimigo. O que foi feito com ele foi uma brutalidade — desabafou.

O rapaz trabalhava como motorista de aplicativo, e morava com a namorada na Abolição, também na Zona Norte. Nas redes sociais, a companheira dele publicou um texto de despedida para o jovem. “Eu te amo para sempre. Que Deus me dê forças”, escreveu a estudante de Direito Joanny Fernandes.