Mães de alunos da rede estadual do Rio vão formar 'batalhão' contra a evasão escolar

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RIO - Mães de alunos da rede estadual de ensino do Rio vão formar um verdadeiro batalhão contra a evasão escolar e os baixos índices de frequência. O quadro, acentuado com a pandemia da Covid-19, atinge atualmente cerca de 13% (quase 95 mil) dos 730 mil alunos da rede, de acordo com o secretário estadual de Educação, Alexandre Valle. Para reverter esse panorama, 9.390 mulheres serão encarregadas de estabelecer diálogos com as famílias dos estudantes que abandonaram o colégio nesse período. Elas passaram por um processo seletivo, no qual tiveram que comprovar vínculo direto com alunos que apresentaram boa frequência escolar. E receberão, para exercer essa função, uma bolsa-auxílio de mil reais.

O trabalho delas, de acordo com o secretário, já começa em janeiro, quando o enfoque será as matrículas nas 1.230 unidades da rede para o ano que vem.

— As voluntárias vão auxiliar as equipes da secretaria na busca do aluno para a sala de aula. Em janeiro, os esforços serão específicos para os estudantes que ainda não fizeram as matrículas ou rematrículas. Até lá, todas vão passar por um processo de capacitação com objetivo de estabelecer diálogos com familiares e alunos. Para isso, criamos uma parceria com assistentes sociais da Uerj. É necessário entender o porquê das ausências e, a partir daí, trabalhar com foco para que os estudantes voltem às aulas — diz Valle.

Uma das selecionadas para integrar o projeto, a dona de casa Fernanda Costa Gonçalves, diz que foi atraída para a iniciativa pela oportunidade de conversar com outras famílias e incentivar jovens a retomar os estudos. Além disso, ela confessa que a ajuda de custo virá no momento certo.

— Essa iniciativa foi de grande valor e veio em uma boa hora. Estava há um tempo desempregada e, agora, estou muito feliz e ansiosa para contribuir com os alunos. Vou dar o meu melhor e cuidar deles como cuido do meu filho — afirma.

Reprovação por Faltas

Colega dela no projeto, a também dona de casa Érica Carneiro da Silva diz que sonha em ver formados os alunos que ela conseguir levar de volta para as escolas.

— Quando eu soube do projeto, fiquei muito animada. Não é só pelo dinheiro. É poder ajudar e ver essas crianças saindo daqui formadas — afirma Érica.

De volta ao ensino 100% presencial desde outubro passado, os alunos das escolas estaduais não serão reprovados por notas em 2021. Eles só serão reprovados caso não tenham atingido 75% da frequência. De acordo com o secretário, no entanto, os números de frequência no último ano não expressam a realidade em relação à presença ou não dos alunos nas aulas.

— Com o retorno ao esquema presencial, em outubro, passamos a ter um balanço mais fidedigno quanto à frequência. No esquema híbrido e no on-line, ficava difícil precisar quem, de fato, estava se dedicando às atividades escolares. Muitas vezes, os alunos entravam no sistema e ficavam logados, mas não havia certeza de que estavam acompanhando as aulas. Com o retorno, começamos a ter um diagnóstico mais preciso — conclui Valle.

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