Mães e empreendedoras da Baixada formam rede de consumo colaborativa e sustentável

Cíntia Cruz
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Thaíse Ramos com arranjos que produz e vende da sua marca Fada Verde

Quatro mulheres, mães, moradoras da Baixada e com o desafio de empreender em meio a uma pandemia. Poderia ser qualquer história de empreendedorismo, mas elas deram um sentido especial às suas produções. As jornalistas Priscila Bispo, de 35 anos, Thaíse Ramos, de 38, a terapeuta holística Juliana Gomes, de 43, e a farmacêutica Priscila Araújo, de 36, criaram uma rede de distribuição colaborativa de consumo consciente.

A prática é conhecida como "lowsumerism" e o termo vem do inglês ''Low Consumerism'' que seria um consumo equilibrado. Proprietária da Compote — marca de culinária inclusiva, que produz pães e compotas artesanais para celíacos, alérgicos, vegetarianos e pessoas com dietas restritivas, e algumas opções sem origem animal — Priscila Bispo conta que os produtos da rede não são concorrentes, mas a proposta das marcas é a mesma:

— Tínhamos necessidades parecidas e sabíamos que, se pudéssemos colaborar em várias etapas dos processos, nossas redes de clientes poderiam aumentar. Nossos produto não competem entre si, mas conversam. Temos o cuidado de não gerar muito lixo, nossas embalagens têm baixo impacto ambiental.

Thaíse, dona da marca Fada Verde, que comercializa arranjo de cactos e suculentas, utiliza caixas de papelão e jornais, que pega de graça no comércio local, para armazenar seus produtos. Ela conta que entrar na rede foi uma transformação pessoal e profissional. A jornalista ficou desempregada em abril, em plena pandemia. Isolada com o marido e a filha, Clara, de 9 anos, Thaíse decidiu se reinventar. Daí que surgiu a Fada Verde, marca que comercializa arranjo de cactos e suculentas:

— Comecei a me sentir entristecida, sem rumo. O trabalho faz falta. Como sempre gostei muito de planta, principalmente de cactos e suculentas, veio esse estalo de começar a fazer algo com esse amor por plantas. Estudei, pesquisei e senti que poderia fazer meu primeiro arranjo. Comecei a fazer mais, coloquei nas redes sociais, a galera gostou e comecei a vender mais do que esperava. Com essa rede e a ajuda delas, só espero crescer.

Essa também é a expectativa da Juliana, proprietária da Coisas da Terra, que produz e comercializa alimentos orgânicos e artesanais. A empreendedora começou com o negócio para oferecer uma alimentação mais saudável ao filho, que hoje tem 5 anos.

— O Coisas da Terra começou da vontade de uma mãe da Baixada de garantir alimento orgânico de qualidade para meu filho que tinha histórico de prematuridade. Essa ação colaborativa entre mães está fortalecendo ainda mais o Coisas da Terra. Agora, vislumbro projetos que, sozinha, não daria conta. Não é só combinar entrega, é ter local de escuta, troca, incentivo, reelaboração de ideias e de ajuda mútua, acima de tudo — ressaltou Juliana.

Entre dividir histórias e compartilhar experiências, o grupo também arca junto financeiramente, em alguns momentos, determinados processos e custos de produção. Como, por exemplo, a compra conjunta de embalagens com baixo impacto ambiental e o custeio do serviço de motoentrega. A proposta da rede é também, além de se retroajudar para reduzir gastos, aproximar pequenas produtoras, reduzindo atravessadores, apoiar o comércio local, dando sempre preferência a quem produz artesanalmente, e, consequentemente, gerar o menor número de lixo possível.  

A rede conta ainda com a marca Marapicu, uma saboaria artesanal vegana. Priscila, que sugeriu a formação da rede, conta que os produtos oferecidos não costumam ser comercializados na região:

— A Compote, por exemplo, proporciona uma oportunidade de a pessoa comer uma coisa bacana sem perder o sabor. Não vejo na Baixada uma culinária inclusiva que dê acesso a pessoas que tenham problema com lactose, glúten ou com dieta mais restritiva. É um nicho de mercado que as pessoas acham que não vai ter público, mas tem e a gente está chegando nele. O futuro só vai ser colaborativo se for essencialmente materno e empreendedor.

Os produtos podem ser conferidos nos perfis do Instagram: @compote.021, @biomarapicu, @fadaverde_arranjos e @coisasdaterra.bio.

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