A mão dura é suficiente para vencer a 'guerra' contra as gangues em El Salvador?

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Foto divulgada pela presidência salvadorenha em 28 de março de 2022 mostrando membros das gangues criminosas Mara Salvatrucha e Barrio 18 detidos em uma prisão de San Salvador (AFP/-) (-)
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A "guerra contra as gangues" que o presidente Nayib Bukele trava em El Salvador completa um mês com mais de 18.000 detidos, mas vencê-la significa oferecer alternativas a quem vê uma saída da pobreza neste submundo cruel.

Sob um regime de exceção que durará pelo menos até o final de maio, a polícia e o exército detêm suspeitos sem mandado, a maioria com tatuagens que representam suas gangues. Tudo isso depois de uma onda criminosa que no final de março deixou 87 mortos.

Para a Anistia Internacional, a ação de Bukele desencadeou uma "tempestade perfeita de violações dos direitos humanos", com prisões arbitrárias, inclusive de menores de 10 a 12 anos, de populações pobres.

Mas o presidente, de 40 anos, enfatizou que seu plano tem 91% de apoio dos cidadãos, de acordo com uma pesquisa do CID Gallup.

Em um país com 30,7% de pobreza e uma população que migra em busca de emprego, para resolver este problema é necessário "modificar as condições que fazem um setor recorrer à vida do crime para sobreviver", disse à AFP o pesquisador da Universidade Internacional da Flórida, José Miguel Cruz.

- Queda das extorsões -

Criadas por imigrantes em Los Angeles, nos Estados Unidos, as gangues Mara Salvatrucha e Barrio 18 subsistem de extorsão e venda de drogas em El Salvador. Somam cerca de 70.000 membros, dos quais 34.000 estão encarcerados.

Após o plano de Bukele, em algumas rotas de transporte os criminosos "já não estão chegando" para extorquir dinheiro, disse à AFP o empresário de ônibus Juan Pablo Álvarez, ex-prefeito da cidade periférica de Soyapango.

"Lidar" com as gangues representa um "custo muito alto (...) tive que enterrar meu irmão, mais de 10 empresários e 25 funcionários, a maioria motoristas", confessou.

Felipe, um pequeno comerciante que preferiu não divulgar seu sobrenome, disse que em sua área, onde até os vendedores de legumes eram cobrados, os membros de gangues "desapareceram e o comércio flui, as pessoas não têm mais medo de vir ao centro".

- Prisão ou morte -

Bukele reconheceu que as gangues são "uma rede social difícil de romper", com famílias envolvidas, e "é como curar um corpo com câncer metastático".

Embora, disse ele, para um membro de gangue "só haja dois caminhos possíveis: prisão ou morte".

As penas por formação de quadrilha são agora sancionadas com até 45 anos, e quem divulgar suas mensagens pode receber 15 anos. Isso pode limitar a cobertura informativa do assunto, reclamaram as associações de imprensa.

Para o pesquisador Cruz, "enquanto não houver desarmamento, junto com programas sociais que diminuam as causas que levam muitos jovens a ingressar em gangues, o país tem muito pouco futuro."

- "Populismo penal"-

Os detidos passam por "juízes sem rosto, proibidos pela Constituição", e não pela justiça normal, explicou o juiz Juan Antonio Durán, que considera que caíram no "populismo penal" onde "não capturam apenas os culpados (...), mas muitas pessoas inocentes."

Acrescentou que os julgamentos são realizados "sem a presença do acusado e sem testemunhas".

Verónica Aguirre, de 26 anos, chegou ao "Penalito", local da capital para onde são levados os suspeitos. Ela diz que seu marido foi preso sem qualquer prova.

"Sob o regime [de exceção] não podemos apresentar provas de que o acusado está sendo julgado incorretamente. Eles estão pagando o justo pelos pecadores e não precisa ser assim, a justiça tem que ser transparente", lamentou.

O procurador-geral, Rodolfo Delgado, disse por sua parte que "a população honesta não tem nada a temer".

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