Måneskin tenta a sorte no mundo com disco exaustivamente dançante

Uma sensação do TikTok capaz de eletrizar um Rock in Rio com um bem convincente... rock. Não são pequenas as façanhas do jovem grupo italiano Måneskin, que depois de entrar no grupo do bilhão de execuções no Spotify (com a versão de “Beggin’”, velho sucesso dos Four Seasons) e de surpreender no festival carioca (em setembro do ano passado) chega esta sexta-feira com “Rush!”, seu terceiro álbum — o primeiro feito com os olhos voltados para o mercado internacional.

Ficam para trás as conquistas anteriores — no programa “X Factor” da Itália e no festival Eurovision — porque agora o jogo envolve um campo bem maior: o do rock planetário, com todos os medalhões que seguem na ativa nos palcos e todos os que se foram, mas serviram de inspiração. Com a ajuda de Max Martin (produtor sueco que moldou boa parte do pop moderno, de Britney Spears a Anitta) e sessões de estúdio em Los Angeles, meca fonográfica, o Måneskin aparentemente manteve o seu foco na missão de fazer um disco de rock — e nisso, foi bem-sucedido.

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“Rush!” é um coquetel de sexo, depravação, festa, luxo e celebridade (como nos velhos tempos do estilo), que os integrantes da banda cuidam de personificar com seus trajes glam de brechó. As canções são simples, com refrãos estudados — que servem bem à pegada roqueira até certo ponto genuína da banda —, e as letras... bem, essas não lá muito memoráveis. Há bastante mais estilo do que substância no disco do Måneskin, o que não quer dizer que ele não seja divertido — o único problema de fato é a excessiva duração do disco e a exaustão com um certo estilo que se repete.

Há um tipo de rock dançante, na linha pós-punk (que vai de Gang of Four a Franz Ferdinand e ao Arctic Monkeys da juventude), usado sem qualquer parcimônia em “Rush!”. Com sua letra safadinha, o single “Mammamia” (“eles perguntam porque eu sou tão quente, mas é porque sou italiano”) indica o caminho para outras bombas sexuais como “Own my mind”, “Gasoline”, “Don’t wanna sleep”, “Bla bla bla” (que faz brincadeiras com letras de canções conhecidas do rock) e para uma série de outras músicas com críticas à falsidade e a frivolidade de Hollywood.

Com uma levada sempre parecida, o Måneskin faz suas observações ácidas sobre a vida em Los Angeles em “Gossip” (adornada por um característico solo de guitarra de Tom Morello, do Rage Against The Machine), “Supermodel” (“ela adora cocaína / mas a cocaína não adora ela”) e “Kool kids”, um pós-punk com sotaque inglês inclusive nos vocais, que cospem versos como: “eles só ouvem trap e pop / e todos sabem que o rock’n’ roll está morto / mas eu não tenho o menor interesse em ser um garoto cool.”

Ainda dançante é “Mark Chapman” (“ele quer que você esteja em perigo / mas ele te chama de ídolo”), infame faixa com o nome do assassino de John Lennon, que o Måneskin canta em italiano. Não é a única que dá as caras no disco na língua pátria: tem ainda a nervosa “Fine” (“se todo mundo agora está amando você / saiba que não é o começo, é o fim”) e a melancólica “Il dono della vita”.

No meio disso tudo, a banda ainda consegue enfiar três músicas musicalmente mais diversas, em que o amor romântico é o tema: a eficiente “The loneliest”, “Timezone” (na qual a banda lamenta os problemas que as grandes distâncias causam aos relacionamentos) e a apaixonada balada “If not for you”, que é puro pop americano dos anos 1950.

Tudo bem que o Måneskin queira provar sua versatilidade, mas um disco mais concentrado em suas faixas fortes poderia ser bem menos canastivo do que este “Rush!” — calma, menines, vocês ainda têm tempo para perseguir o estrelato!

Cotação: Regular