Média móvel de mortes do Brasil é a menor dos últimos 172 dias, diz boletim de imprensa

Bruno Alfano
·4 minuto de leitura

RIO — O Brasil registrou 17.791 novos casos e 288 novos óbitos por coronavírus nesta segunda-feira, segundo boletim das 20h do consórcio de imprensa. Com isso, o país chegou a 5.411.550 infectados e 157.451 óbitos desde o início da pandemia.

Com as informações atualizadas, a média móvel de óbitos, também medida pelo levantamento, caiu de 468 para 461, a menor desde 8 de maio, há 172 dias.

A "média móvel de 7 dias" faz uma média entre o número de mortes do dia e dos seis anteriores. Ela é comparada com média de duas semanas atrás para indicar se há tendência de alta, estabilidade ou queda. O cálculo é um recurso estatístico para conseguir enxergar a tendência dos dados abafando o "ruído" causado pelos finais de semana, quando a notificação de mortes se reduz por escassez de funcionários em plantão.

O consórcio de veículos de imprensa é formado por O GLOBO, Extra, G1, Folha de S.Paulo, UOL e O Estado de S. Paulo e reúne informações divulgadas pelas secretarias estaduais de Saúde em um boletim divulgado às 20h. O governo do Rio Grande do Sul não enviou seus dados até o fechamento desta edição.

A vacina candidata contra a Covid-19 da Universidade de Oxford (Reino Unido), produzida em parceria com a farmacêutica britânica AstraZeneca, produz resposta imune "robusta" em idosos, que integram o principal grupo de risco da doença, indiam resultados preliminares divulgados nesta segunda-feira. Os números de mais uma frente de trabalhos dos ensaios clínicos reforçaram a expectativa por um imunizante capaz de bloquear a infecção pelo coronavírus e controlar a pandemia causada pelo patógeno.

O imunizante, batizado oficialmente de AZD1222 ou ChAdOx1 nCoV-19, estimulou a produção de anticorpos e de celulas T, segundo o jornal britânico Financial Times. Os estudos também confirmaram a segurança da vacina neste grupo. Anteriormente, os pesquisadores chegaram às mesmas conclusões em voluntários jovens e adultos.

Ainda segundo o Financial Times, os dados dos testes de imunogenicidade — capacidade de induzir produção de anticorpos neutralizantes — em voluntários idosos serão publicados pela universidade britânica e pela AstraZeneca em uma publicação científica ainda não especificada. A descoberta reforça a mesma conclusão envolvendo adultos saudáveis entre 18 e 55 anos, conforme dados divulgados em julho.

Oito estados têm tendência de alta na media móvel de óbitos: Acre, Amazonas, Amapá, Ceará, Paraná, Pernambuco, Santa Catrina e Rio Grande do Sul.

O índice é de queda em nove unidades da federação, além do Distrito Federal: Alagoas, Bahia, Ceará, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio Grande do Norte e Rondonia

Um dos principais especialistas em doenças infecciosas dos Estados Unidos, Anthony Fauci disse neste domingo que ficará claro se uma vacina contra Covid-19 é segura e eficaz no início de dezembro, mas que uma vacinação ampla não é provável até o decorrer de 2021.

Consulte: Veja aqui como está a situação do coronavírus no seu estado

Fauci já havia criticado, há cerca de dois meses, a Rússia pela liberação apressada de sua vacina contra o coronavírus. O imunizante, chamado Sputnik V, foi aprovado sem evidências de que os ensaios clínicos da fase 3 (a última) tenham sido concluídos, uma parte essencial das etapas de desenvolvimento que podem provar que um produto é seguro e eficaz nas pessoas.

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) liberou nesta sexta-feira, por unanimidade, a importação de seis milhões de doses da vacina CoronaVac, solicitada pelo Instituto Butantan, que tem parceria com o laboratório chinês Sinovac para produção do imunizante contra a Covid-19.

Relembre: Bolsonaro diz que governo não comprará Coronavac mesmo se vacina for aprovada pela Anvisa

A autorização, porém, não tem nenhuma relação com o pedido de liberação para importação de insumos para fabricação da vacina no Brasil, também solicitada pelo Butantan.

O acordo assinado com a Sinovac prevê a importação de seis milhões de doses da vacina CoronaVac produzida na China - o que foi autorizado nesta tarde pela Anvisa - e a produção de outros 40 milhões de doses até dezembro, na fábrica do Butantan no Brasil, com insumos importados do laboratório chinês. Esse impasse sobre a importação dos insumos para a produção desses 40 milhões de doses permanece indefinido.

Na semana passada, o presidente do STF, Luiz Fux, já havia previsto que o Judiciário acabaria tendo papel relevante no debate sobre a importação, o desenvolvimento e a obrigatoriedade da vacina.

— Podem escrever, haverá uma judicialização, que eu acho que é necessária, sobre essa questão da vacinação. Não só a liberdade individual, como também, digamos assim, os pré-requisitos para se adotar uma vacina. Não estou adiantando ponto de vista nenhum. Estou apenas dizendo que essa judicialização será importante, e de preferência direto no Supremo. Por quê? Porque um dos grandes instrumentos na segurança jurídica é a jurisprudência firmada no Supremo Tribunal Federal — disse Fux em videoconferência organizada pela Aliança de Advocacia Empresarial.

O Ministério da Saúde registrou 13.493 casos nas últimas 24 horas, chegando a 5.394.128. Também foram vistas 231 novas mortes, alcançando 157.134.