Média móvel de mortes por Covid-19 volta a passar de 400 após dez dias sem atingir a marca, diz boletim

Bruno Alfano
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Foto: MARIO TAMA / STF
Foto: MARIO TAMA / STF

RIO — O Brasil registrou nesta sexta-feira 523 mortes e 29.052 casos de Covid-19. Com isso, são 5.811.699 pessoas infectadas e 164.855 vidas perdidas desde o começo da pandemia. Já a média móvel subiu de 365 para 403. As informações são do boletim das 20h do consórcio de veículos de imprensa.

Nesta sexta-feira, o Ministério da Saúde admitiu que sofreu um ataque hacker no sistema, o que prejudicou o registro de dados de diferentes estados nos últimos dez dias. São Paulo, por exemplo, voltar a não publicar o número de mortes por conta disso. Já o Paraná não divulgou nem óbitos, nem casos.

A falta de informações durante os últimos dias afetou diretamente a média móvel, que faz uma média entre o número de mortes do dia e dos seis anteriores. Ela é comparada com média de duas semanas atrás para indicar se há tendência de alta, estabilidade ou queda.

O cálculo é um recurso estatístico para conseguir enxergar a tendência dos dados abafando o "ruído" causado pelos finais de semana, quando a notificação de mortes se reduz por escassez de funcionários em plantão.

O consórcio de veículos de imprensa é formado por O GLOBO, Extra, G1, Folha de S.Paulo, UOL e O Estado de S. Paulo e reúne informações das secretarias estaduais de Saúde divulgadas diariamente até às 20h.

A iniciativa dos veículos da mídia foi criada a partir de inconsistências nos dados apresentados pelo Ministério da Saúde.

O Instituto Butantan informou, nesta sexta-feira, que 10 mil dos 13 mil voluntários da CoronaVac (77%) - vacina desenvolvida em parceria com o laboratório chinês Sinovac - já foram testados. Do total, parte do grupo recebe o imunizante em questão e outra metade uma substância placebo, sem efeitos práticos no organismo.

Os testes não têm data para terminar, mas a expectativa do instituto é finalizar o processo ainda este ano. Além de aplicar vacina ou placebo de forma sigilosa nos 13 mil voluntários, essa terceira fase do ensaio clínico só pode seguir adiante após 61 pessoas testadas, que tiverem tomado placebo, apresentarem infecção por Covid.

Leia mais: Saiba como foi o processo de paralisação do estudo clínico da CoronaVac

A partir desta amostragem, haverá a comparação com o total dos que receberam a vacina para checar se também houve contaminação pelo coronavírus. Atingindo índices necessários para a segurança, poderá ser submetido à avaliação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antônio Barra Torres, negou com veemência nesta sexta-feira que a decisão de suspender e de retomar logo depois os testes com a vacina chinesa CoronoVac tenha ocorrido por influência política.

— Não há poder absoluto dentro da agência. A Anvisa não deseja, não quer e passa longe de qualquer tipo de politização a respeito dessa questão ou de qualquer outra. Motivos técnicos levaram a essa decisão — disse o comandante da Anvisa.

Ele e Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan, que produz o imunizante no Brasil, em parceria com a empresa Sinovac Biotech, participam de audiência virtual da comissão mista do Congresso Nacional nesta sexta-feira. A sessão trata de ações ligadas à pandemia do coronavírus, doença já matou mais de 164 mil brasileiros.

Durante a reunião, Torres enfatizou que a decisão que suspendeu temporariamente a vacina foi tomada por 18 servidores da Anvisa, com experiência de 15 anos de prestação de serviço e com a “mais alta titulação acadêmica”.